Com coautoria de Latussa Laranja Monteiro: doutora em Planejamento Urbano e Regional e diretora de estudos e pesquisas do IJSN
As histórias demográficas e econômicas do Brasil e Espírito Santo evidenciam uma ocupação territorial predominantemente concentrada na porção litorânea e nos núcleos e em torno de grandes centros urbanos. Muitas regiões ficaram em segundo plano nas ondas desenvolvimentistas do século XX.
Em pleno século XXI, existem inúmeras possibilidades de interconectar territórios seja por meio de soluções de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), seja a partir de redes logísticas. Nesse sentido, uma trama territorial de fixos e fluxos é expandida no caminho de promover um desenvolvimento regionalmente equilibrado melhorando a qualidade de vida de populações.
Políticas públicas intersetoriais ganham escala quando tratadas na perspectiva regional. A mobilização de lideranças intermunicipais tende ampliar a convergência e o alcance de ações integradas entre instituições públicas e privadas que cooperam republicanamente em favor do desenvolvimento regional.
É com essa filosofia que desde 2019 o governo do estado do Espírito Santo vem implementando, com um conjunto de instituições parceiras, o projeto Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), que se caracteriza como uma nova perspectiva para potencializar as especificidades regionais capixabas e tornar os efeitos positivos do crescimento acessíveis para todo o Estado.
O DRS toma como ponto de partida o planejamento de longo prazo do estado, o ES2030 e se apoia em dois pilares: a participação dos atores sociais dos territórios e a construção descentralizada do conhecimento por meio de pesquisa.
Foram instituídos nove Conselhos de Desenvolvimento Regional Sustentável (CDRS), compostos por representantes de diversos setores da sociedade. Esse processo contou com um total de 198 representantes, 23 câmaras temáticas e 70 reuniões de Conselho ao longo do projeto, organizadas pela Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Desenvolvimento Econômico (SECTIDES).
A pesquisa, coordenada pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), contou com a colaboração de mais de 150 pesquisadores de todo o Estado. A fase diagnóstica foi coordenada por professores doutores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
Nesta semana mais uma relevante etapa para o desenvolvimento sustentável das microrregiões capixabas foi cumprida. A entrega do Plano de Ação, construído em conjunto com os conselhos, marca um processo de pactuação que resulta em ações prioritárias para cada microrregião.
O DRS é mais uma ação pioneira, em âmbito nacional, implementada pelo Espírito Santo e busca promover o desenvolvimento equilibrado, de forma equitativa e integrada, com respeito às vocações e potencialidades das microrregiões capixabas.