No calor dos acontecimentos da tarde do domingo, 8 de janeiro, escrevo este texto com uma mistura de perplexidade e indignação de ser brasileiro e ver a Praça dos Três Poderes em Brasília virar palco de atos terroristas com cenas de vandalismo e depredação de prédios públicos e de patrimônios artísticos e culturais. Um prejuízo incalculável para os cofres públicos e a história do país.
Criminosos e arruaceiros promoveram o ataque mais violento contra a democracia e República brasileira desde o golpe de 1964. O principal responsável por arquitetar e incitar esse ataque, o ex-presidente Jair Bolsonaro, viajou para os Estados Unidos em uma evidente tentativa de fugir covardemente de suas responsabilidades. Desde 2019, quando assumiu a presidência da República, ele estimulou e participou de atos antidemocráticos e tripudiou do Estado democrático de Direito, de instituições e autoridades republicanas.
Desde o início de seu governo, Bolsonaro publicou mais de 40 instrumentos normativos, como decretos e portarias, visando ampliar exageradamente e descontroladamente o acesso às munições e armas de fogo. Nos recorrentes discursos aos seguidores, Bolsonaro alimentava ideias conspiracionista e antidemocráticas e estimulava a população pegar em armas de fogo para defender sua ideologia bizarra e radical. O discurso de Bolsonaro na vergonhosa reunião ministerial de maio de 2020 foi uma prova clara de tal comportamento irresponsável.
Há mais de dois anos venho alertando nesta coluna que esse tipo de posicionamento e os próprios atos antidemocráticos não poderiam ser tolerados. Por exemplo, os acampamentos golpistas na frente de quartéis em várias cidades brasileiras foram tolerados por muito tempo. Depois da invasão do Capitólio nos Estados Unidos em janeiro de 2021, já era esperado alguma ação estúpida por parte de Bolsonaro, que copia descaradamente os devaneios do ex-presidente Donald Trump.
A ataque terrorista em Brasília foi uma tragédia anunciada. Causou ainda mais perplexidade ver autoridades, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que foi complacente e omisso, chamar a tentativa de golpe de “manifestações” nas redes sociais. Não são manifestações, mas sim atos terroristas, golpistas e baderneiros!
A tentativa de golpe de estado fracassou, a ordem do Estado democrático de Direito permanece e vigora no Brasil. Esse ataque inaceitável foi vexatório. Agora é hora de investigar e punir os responsáveis pela organização desses atos terroristas, bem como seus financiadores e operadores. Que esse seja um marco para um amplo e vigoroso movimento de defesa da democracia e de reconstrução do Brasil!