*Artigo publicado em colaboração com Ronaldo Lubiana, especialista em Compliance na Gestão Pública e diretor administrativo e financeiro do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf)
Criado pela Lei Complementar nº 081, de 29 de fevereiro de 1996, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) completa quase três décadas como uma das instituições mais estratégicas para o desenvolvimento sustentável do estado. Regulamentado pelo Decreto nº 4.006, de 17 de julho do mesmo ano, o Idaf nasceu da fusão das atividades da Empresa Espírito-Santense de Pecuária (Emespe) e do Instituto de Terras, Cartografia e Florestas (ITCF), em um contexto de modernização administrativa da Secretaria de Estado de Agricultura (Seag).
O Idaf surgiu como resultado de uma visão integrada ao unir a defesa agropecuária e a proteção florestal em uma mesma estrutura, garantindo mais eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária ao meio rural capixaba.
Hoje, o Instituto atua em áreas essenciais, desde o controle de pragas e doenças animais e vegetais até a fiscalização ambiental, o georreferenciamento e o licenciamento florestal. Seu trabalho silencioso é um dos pilares que sustentam o equilíbrio entre produção e conservação no Espírito Santo. Cada certificação sanitária, cada vistoria em propriedades rurais e cada licença ambiental expedida representam um elo na cadeia de confiança que move o agronegócio e o meio ambiente capixaba.
Um exemplo recente do protagonismo técnico do Idaf é o projeto Integração do Cadastro Ambiental Rural no Espírito Santo (IntegraCAR). Implementado pelo Instituto, com o apoio de instituições como Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e outras instituições, o projeto fortalece a governança territorial e ambiental do estado, promovendo o uso inteligente de dados e geotecnologias.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR), por sua vez, é uma ferramenta obrigatória que reúne informações sobre os imóveis rurais, permitindo o planejamento ambiental, o monitoramento do desmatamento, a recuperação de áreas degradadas e o acesso a políticas públicas e crédito agrícola.
Graças à competência técnica do IDAF e à rede de parceiros aqui citada, o Espírito Santo alcançou um marco expressivo, a saber, é o estado brasileiro com o maior percentual de propriedades rurais com análise concluída do CAR (66%), segundo levantamento da Climate Policy Initiative (CPI) de 2024. Para se ter ideia da dimensão desse avanço, São Paulo, o segundo colocado, possui apenas 18% do CAR com análise concluída.
Esse resultado evidencia a capacidade de integração institucional e tecnológica que o Espírito Santo vem consolidando ao longo dos últimos anos. O IntegraCAR tende a elevar ainda mais esse patamar, colocando o estado em posição de destaque e excelência nacional. A iniciativa vai ampliar a cobertura do CAR, potencializar a produção rural sustentável, facilitar o acesso ao crédito, valorizar os imóveis rurais, otimizar a gestão pública e atrair novos investimentos.
O Idaf representa o equilíbrio entre produtividade e preservação. Sua trajetória mostra que o desenvolvimento não se faz apenas com obras e cifras, mas com instituições sólidas integradas, ciência aplicada e compromisso público. No campo e na floresta, o Espírito Santo colhe os frutos da boa governança e gestão territorial integrada.