No artigo publicado nesta coluna na última semana foi ponderado como as ações do governo do Estado do Espírito Santo estão sendo respaldadas por evidências empíricas e métodos científicos para promoverem a prevenção, mitigação e controle do novo coronavírus (Covid-19). Constatamos como a ciência torna-se essencial no planejamento e tomada de decisão em tempos de pandemia.
Dentre as diversas ações estratégicas desenvolvidas no estado no último mês, destacamos a criação da Sala de Situação de Emergência em Saúde Pública e do Centro de Comando e Controle (CCC), instâncias decisórias e de suporte na gestão da crise. Tais instâncias operam a partir de um banco de dados sistematizado que possibilita o diagnóstico, monitoramento e identificação das características espaciais, sociais e demográficas de disseminação da Covid-19.
Esse banco de dados é gerenciado pela Secretaria de Saúde e conta com registros qualificados que possibilitam análises sobre os desdobramentos do novo coronavírus no campo da infectologia, epidemiologia, matemática, estatística, geografia, economia, sociologia, dentre outras áreas do conhecimento. As pesquisas interdisciplinares são fundamentais para diagnosticar padrões e tendências, bem como possibilitam o estabelecimento de inferências a partir da etiologia, ou seja, o estudo das causas da doença.
Para além dessas frentes de análises científicas, existe também a preocupação de fornecer informações para a sociedade sobre a disseminação da Covid-19. Nesse caso, os dados devem estar organizados de forma anonimizada e agregada, preservando assim as identidades e informações pessoais dos indivíduos estudados. A população tem o direito de acesso a esses dados e tem o compromisso de utilizá-los de forma consciente, diminuindo as chances de propagação de notícias falsas.
É nesse bojo que os especialistas e profissionais da imprensa fornecem uma contribuição substancial. O acesso à informação de qualidade é a melhor alternativa para fazer frente às fake news.
Seguindo as premissas da transparência e controle das informações, a ação conjunta da Secretaria de Saúde (Sesa), Secretaria de Controle e Transparência (Secont), Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação (Prodest) e Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) resultou no desenvolvimento de um painel dinâmico e interativo que torna acessível à população diversas informações sobre a Covid-19. O referido painel, que é respaldado pelas premissas das normas de acesso à informação, de dados abertos e de proteção de dados pessoais, foi publicado no último dia 15 de abril e está disponível no portal coronavirus.es.gov.br.
Essa plataforma tecnológica possibilita ao usuário consultar informações sobre o número de casos e óbitos pelo novo coronavírus no Espírito Santo. Por meio de um sistema de filtros, o painel permite identificar o perfil demográfico e de comorbidades dos casos da Covid-19. Conta com uma interface de Sistema de Informação Geográfica (SIG), o que possibilita o cruzamento de consultas na escala dos municípios e bairros capixabas. Além disso, os microdados encontram-se disponíveis para consulta e download.
O esforço conjunto no desenvolvimento e publicação do mencionado painel do governo do Estado garantiu destaque ao Espírito Santo no “Índice de Transparência da Covid-19”, que é calculado pela Open Knowledge Brasil (OKBR). Na base de cálculo do índice são considerados diversos critérios nas dimensões de conteúdo (informações sobre o novo coronavírus, perfil dos infectados e infraestrutura de saúde), granularidade (anonimização, escalas espaciais e níveis de desagregação dos dados) e formato (interatividade analítica, tipo de planilhas disponíveis e séries históricas).
Na última avaliação do citado índice, o Espírito Santo, com 93 pontos, alcançou o nível mais elevado em transparência nas estatísticas sobre a Covid-19 e se tornou referência entre os demais Estados brasileiros. Ceará e Pernambuco, ambos com 95 pontos, foram as outras unidades da federação que alcançaram o nível alto de transparência.
Em tempos das ameaças reais do novo coronavírus e da ampliação do medo potencial propiciado pelas notícias falsas, a transparência se reforça como um aspecto elementar para uma melhor conscientização da população sobre a magnitude e intensidade do problema enfrentado.