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Eleições 2022

O que a eleição francesa ensina ao Brasil?

Contra o conservadorismo intolerante e pelo fortalecimento da via progressista democrática e republicana brasileira: liberdade, igualdade e fraternidade!

Publicado em 20 de Abril de 2022 às 02:00

Públicado em 

20 abr 2022 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

pabloslira@gmail.com

No próximo domingo, 24 de abril, os franceses vão às urnas para escolher o próximo presidente. O resultado do primeiro turno, que ocorreu no dia 10 de abril, demonstrou que Emmanuel Macron, atual presidente, conquistou 27,8% dos votos, enquanto Marine Le Pen, candidata da direita radical, alcançou 23,1% dos votos. Uma diferença aproximada de 5 pontos percentuais.
Esses foram os dois candidatos mais votados e que estão disputando o segundo turno, em uma espécie de reprise do pleito de 2017, quando Macron derrotou Le Pen de forma mais tranquila, com 66% dos votos no segundo turno contra 34%. Porém, dessa vez a vitória não parece ser tão fácil. As pesquisas mais recentes evidenciam que Macron detém 54% das intenções de votos no segundo turno contra 46% de Le Pen, ou seja, oito pontos percentuais de diferença.
Não podemos desconsiderar que Jean-Luc Mélenchon, representante da esquerda radical, ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 22% dos votos. Agora, os votos desses eleitores serão decisivos para o resultado da disputa entre Macron e Le Pen. De acordo com as pesquisas citadas, 43% dos eleitores de Mélenchon migrarão os votos para Macron e 28% para Le Pen.
Após o resultado do primeiro turno, Mélenchon não declarou apoio à Macron, porém orientou ao seu eleitorado que “nenhum voto deve ser dado a Le Pen”. Talvez pela omissão de apoio explícito ao atual presidente, a candidata da direita conservadora está herdando um considerável percentual desses votos. O que estaria levando os votos da esquerda radical convergirem para o campo conservador?
Por estar na condição de situação, Macron acaba se tornando o principal alvo do ataque dos adversários de vários espectros políticos. O eleitorado de Mélenchon é formado predominantemente por classes populares e operárias que criticam que o atual presidente seria o representante dos ricos.
Sabendo disso, de forma oportunista Le Pen deixou em segundo plano temas polêmicos e radicais defendidos pelo seu partido, como ações conservadoras contra imigrantes, e buscou se apropriar de temas mais próximos das demandas das classes populares, como por exemplo, a ampliação do poder aquisitivo dos trabalhadores e o apoio à realização de referendos de iniciativa popular.
Considerando os sinais emitidos pela esquerda francesa, Emmanuel Macron busca alinhar o discurso com as demandas das classes populares. O presidente já declarou estar disposto a realizar ajustes em seu projeto de reforma da aposentadoria para contemplar os pleitos de tais classes. Ele precisa ampliar os oito pontos percentuais de vantagem, indicados pelas pesquisas, sobre Le Pen para garantir com segurança a reeleição.
Do outro lado do Atlântico, a eleição brasileira revela que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está na liderança com 40% das intenções de voto, Jair Bolsonaro (PL) com 35% e Ciro Gomes (PDT) com 5%, segundo a pesquisa PoderData de 13 de abril. Assim como no primeiro turno francês, os dois primeiros colocados na mencionada pesquisa estão separados por 5 pontos percentuais.
A diferença é que no Brasil o atual presidente está em segundo lugar. A saída de Sérgio Moro da corrida presidencial favoreceu Bolsonaro que conseguiu reduzir a diferença para Lula, porém não foi suficiente para colocá-lo na liderança. Além disso, a viabilização de uma terceira via se mostra pouco provável.
Ainda tem muita coisa para acontecer e falta muito tempo para o dia da votação, que ocorrerá em outubro, entretanto é fato que os votos de Ciro Gomes serão importantes em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Vale lembrar que os demais pré-candidatos, como João Doria (PSDB), André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB), totalizam 8% das intenções de votos e apresentam a preferência do eleitorado da direita.
A exemplo do que ocorre nas eleições francesas, os representantes do campo progressista brasileiro devem avaliar os riscos da divisão de votos, bem como a migração de eleitorado para via conservadora radical, que comunga de uma série de retrocessos e intolerâncias que estão manchando a história do país nos últimos anos. Pelo fortalecimento da via progressista democrática e republicana brasileira: liberdade, igualdade e fraternidade!

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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