Desde a última semana, a atenção do mundo está voltada para a descoberta da mais nova variante da Covid-19, a Ômicron (B.1.1.529). Com múltiplas mutações e potencialmente mais contagiosa, tal variante foi detectada na África do Sul, e a província de Gauteng, a mais populosa do país, já concentrava cerca de 80 casos confirmados de pessoas infectadas até a última sexta-feira (26). Países como Botsuana, Israel, Bélgica, Reino Unido, Alemanha e Itália também já confirmaram casos da Ômicron.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está mobilizada com a comunidade científica internacional realizando pesquisas e análises sobre essa nova ameaça. Ainda é cedo para assinalar com precisão o quão transmissível e/ou perigosa é a variante da África do Sul. Todavia, estudos genéticos demonstraram que a variante apresenta dezenas de mutações.
Essa característica gera preocupação em relação a um provável escape imune, ou seja, possibilidade de diminuição da eficácia das vacinas, uma vez que elas foram desenvolvidas com base na cepa inicial da Covid-19, aquela registrada originalmente em Wuhan na China.
Por conta disso, no último dia 26 de novembro, os Estados Unidos, União Europeia e vários países suspenderam voos que partiriam da região sul do continente africano. Essa medida de precaução pode ser complementada por restrições, como a realização de testes e de quarentenas a pessoas que tenham transitado em países do sul da África.
O presidente norte-americano, Joe Biden, alertou que a pandemia não vai acabar até que seja alcançada uma vacinação global. Com isso, ele lança luz sobre a relevância de uma maior cooperação entre as nações na distribuição mais igualitária dos imunizantes. No primeiro semestre de 2021, a OMS já havia feito esse alerta.
De acordo com um portal de dados vinculado à Universidade de Oxford, enquanto nações como Cingapura evidenciam mais de 90% da população com a vacinação completa, países como a África do Sul registram menos de 24% da população com o esquema completo. A situação fica ainda mais preocupante em países como a Nigéria, onde somente 1,6% das pessoas residentes completaram a vacinação.
Nesse sentido, o risco de novas variantes da Covid-19 não vai diminuir enquanto persistirem as latentes desigualdades de vacinação entre os países.