Dizem nos corredores diplomáticos que Donald Trump teria descoberto o gengibre de Santa Leopoldina e ficado encantado. Brincadeiras à parte, a semana passada trouxe uma boa notícia para a economia brasileira e, em especial, para o Espírito Santo.
Na última quinta-feira, o governo norte-americano ampliou a lista de exceções ao tarifaço implementado em agosto, incluindo novos produtos brasileiros. A medida beneficia setores relevantes para a pauta de exportação nacional e capixaba. Para o Espírito Santo, os destaques ficaram para o café, principal produto da agricultura capixaba, pimenta, frutas, cacau e o gengibre de Santa Leopoldina e região serrana, reconhecido no Brasil e no mundo.
Em julho de 2025, Trump assinou uma ordem executiva impondo uma sobretaxa de 40 % sobre produtos brasileiros, que se empilha sobre outra tarifa de 10%, totalizando 50% em alguns casos. Essa medida, segundo o governo americano, justifica-se por uma “desvantagem” da economia daquele país em relação ao Brasil. Afirmação que não encontra respaldo no mundo dos fatos e dados, uma vez que o saldo da balança comercial dos Estados Unidos com o Brasil é superavitário.
Sobre o gengibre, a ordem de Trump atingiu essa cultura, presente em destaque em Santa Leopoldina e outros municípios da região serrana capixaba, que representa cerca de 75% da produção nacional. O primeiro impacto foi imediato, os produtores viram as exportações caírem drasticamente para os Estados Unidos, que até então comprava entre 30% e 35% do gengibre capixaba.
O gengibre de Santa Leopoldina não é um produto qualquer. Resulta da produção familiar, cultivo de alta qualidade e é conquistador de mercados internacional. Já foi exportado para mais de 40 países, com a raiz capixaba se destacando na produção agrícola capixaba.
A ampliação da lista de exceção do tarifaço não ocorreu por acaso. É resultado dos impactos negativos na economia norte-americana de uma medida que vem deteriorando as relações comerciais internacionais e gerando efeitos indesejados internos, como pressão inflacionária.
Além disso, essa ampliação reforça a relevância do diálogo diplomático entre os dois governos, em sintonia com os setores produtivos e os empresários, que têm sido fundamentais para construir soluções coerentes, equilibradas e avançar na redução tarifária de outros itens estratégicos.
Ainda há pontos sensíveis a resolver. O café solúvel ficou de fora da lista de exceções, assim como produtos do setor de rochas ornamentais e o aço, que segue enfrentando uma tarifa generalizada no mercado norte-americano. Por isso, seguimos acompanhando os próximos capítulos desse tarifaço e seus impactos para o Brasil e para a economia capixaba.
E quanto ao gengibre de Santa Leopoldina, quem conhece sabe. Produto singular, especialmente valorizado por quem precisa cuidar da voz, como professores e músicos.