Diga lá, meu rei, se a ciência é montada por conclusões lógicas, matemas e conhecimentos que não mudam nada, só se sobrepõem? Ou é filha solteira de experiências laboratoriais ou não? Estou certo que o uso de máscaras protegendo a face, na prática, surte efeito contra os bárbaros vírus que invadem todos os sistemas de defesa sofisticados do corpo humano. E estanquem diante das sábias vacinas e das inteligências que as elaboram, embora contra a vontade de um montão de pessoas desprovidas sequer de instinto de sobrevivência, parece.
Eu sei que um vírus – qualquer vírus – é invisível e tem sua forma desenhada cientificamente. Em relação às máscaras protetoras, o espaço entre os fios tecidos, do que são fabricadas, em tese não seriam suficientes para impedir a entrada do vírus, ainda mais essezinho agora, cuja virulência, isto é, a intensidade viral, tem a capacidade de agravar e acelerar qualquer coisa que nos possa matar ou coisa parecida.
Durante algumas madrugadas andei pensando, na verdade só pensei. Mas que nada. Nesse caso, como atuam as vacinas se tomadas por grande público? Isso é pensamento, não para as minhas madrugadas. Isso é pensamento para todos nós. É melhor deixar essa profundeza do pensar sofisticado e reconhecido para a mestra Margareth Dalcomo, cientista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aliás, capixaba do coração.
A disciplina e o sentimento de solidariedade demonstram ser tão eficazes quanto a vacina, vide o caso da Aids. Não tem vacina, mas é defendida pela consciência, especialmente eficaz, como se verifica. As posturas preventivas foram essenciais para reduzir a incidência da virose e evitar uma tragédia mundial, com a ajuda de medicamentos. A sobrevida é suficiente neste momento da história.
A capacidade de perceber a necessidade da vacina, para conceber que apenas um alto percentual, e não necessariamente total, na maioria dos casos pode ser suficiente, é primordial. Atingir com as medidas sanitárias cem por cento da intenção pode não ser possível. Mas manter o moral alto e só um pouquinho de inteligência mostra ser o suficiente.
Para usar uma metáfora, Carlos Drummond de Andrade escreveu um texto e não colocou crase onde ordenava a ortografia. Alertado para corrigir, respondeu: “Deixa estar, a crase não foi feita para humilhar ninguém”.
Nem as vacinas que causam pequenas reações.
Se a maioria dos mandantes deixasse o investimento em saúde em paz, sem falcatruas, haveria, como dantes, vacinação ininterrupta, não só para esse vírus e suas alegorias, mas para todos os quais precisamos nos proteger.
Quando eu era criança – isso já faz algum tempo – com epidemia, ou sem, os setores de saúde, com salários dignos, iam de casa em casa vacinar. Bem me lembro de Dona Yaci e suas seringas mágicas contra gripes, varíola, tifo, hepatite, tuberculose, sarampo, varicela… Quando acabava a temporada, dava mais ou menos um ano, começava tudo de novo. Conheço histórias de pessoas que viveram naquela época que nunca – eu disse nunca – contraíram uma doença sequer. Já li que mesmo as neoplasias são contidas em um organismo suficientemente vacinado e capaz de defender-se.
A sífilis chegou a diminuir quase a zero, mas de vez em quando ainda dá o ar da graça. O milagre realizado por Alexander Fleming e sua penicilina continua salvando pessoas e fazendo a medicina reconhecer os variados sintomas.
Por ser uma doença sorrateira, os múltiplos sinais podem aparecer de inúmeras formas.
Vamos pensar sempre no diagnóstico de sífilis e outras moléstias dadas como extintas.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, está examinando suas pulgas.