Acho que o pessoal exagera ao homenagear o presidente Bolsonaro por todos os males e besteiras que assolam o país. Respeitável público, justiça seja feita, ele não tem inteligência para tanto. É muita besteira e, ainda por cima, sobreposta. Seu governo é um trem maluco, sem trilhos e sem direção, baseado unicamente no próprio instinto. Dá até medo de falar isso.
Não há nos seus desmandos e alegorias um simples vestígio de função psíquica hábil ou coerente. Ele reconhece suas frases mal pronunciadas, inclusive. Mas não associa isso a nada. Sequer ao poder que emana naturalmente de um chefe de República eleito legalmente pelo povo.
Esse poder pode tudo, no caso do Brasil, muitas vezes embaraçado pela confusão generalizada nos poderes legislativos e judiciários, onde por tradição, com raríssimas exceções, cada um trata de si, “irmão desconhece irmão”, como no samba de Paulinho da Viola. Esse curiosamente vem a se chamar “Dinheiro na mão”, tema de uma novela popular intitulada “Pecado Capital”. Não que uma coisa tenha a ver com a outra necessariamente.
Os ministérios – e não é de hoje – normalmente não são ocupados pelo critério da competência. Isso feito, não há planejamento, por mais simples que seja o problema, ou não. As indicações, normalmente, são feitas por partidos que não representam as letrinhas com que se apresentam. Portanto, não há representação.
Respeitável público. A representação, segundo a ciência das relações, é que tornam real o imaginário. Na política brasileira, os discursos de apresentação dos candidatos ao Executivo, ao Legislativo e, indiretamente, ao Judiciário, acabam não avaliando a competência de fulano ou de sicrano para tal cargo. Não há concurso público para a maioria dos cargos. Os salários dos ocupantes dessa modalidade de Olimpo, principalmente se comparados aos servidores mortais, são absurdos e injustificados.
Por exemplo, hoje, um médico concursado, titulado, ao fim de 40 anos de trabalho, mais ou menos, recebe líquido R$ 5 mil. E às vezes, algumas palmas quando enfiam sua saúde para socorrer à população, como é o caso neste pandemônio. Nem se toca no assunto.
Vejamos, então, a História.
Dom Pedro II, o único brasileiro do Império, construiu estradas de ferro e rodagem, museus, navegação costeira, jardins culturais, como o Botânico, universidades, entre outras instâncias da Educação. Por exemplo, o Colégio Modelo, no Rio de Janeiro, chama-se até hoje Pedro II.
Na época, segundo consta, mantinha um departamento dedicado à verificação de contas públicas. Hoje, não se tem a maior ideia sobre quem gasta o quê, sendo que as punições quando existem, apesar das falações, não chegam a ser executadas totalmente. Sempre tem um jeitinho.
Várias epidemias foram estancadas por ações científicas e pela confiança que o povo depositava no Imperador, que deixou o país por livre e espontânea vontade. O pai, D. Pedro I, apesar das lambanças pessoais, quando, anteriormente, anunciou deixar o governo foi alvo de uma manifestação popular: “Como é para o bem do povo e da felicidade geral da nação, diga ao povo, que fico”. Esse dia, foi nomeado Dia do Fico.
Já passou da hora de se criar, hoje, o Dia do Some Daqui.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, está organizando os seus colegas.