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Crônica

O cinema foi e sempre será muito mais que o filme

Em uma certa cena, Humphrey Bogart, inventor do chapéu de lado, ao entrar em uma boate, encostado estrategicamente no piano, pediu ao final que o pianista repetisse a música - o que nunca aconteceu

Publicado em 23 de Janeiro de 2024 às 01:35

Públicado em 

23 jan 2024 às 01:35
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

paulobonates@uol.com.br

Nada substitui o cinema.
A denominada sétima arte é muito mais do que mostra. Tenho um amigo gente boa, Calipson Tadeu, que resumia, fazendo suas críticas sobre todos os filmes a que assistia, inclusive mais de duas vezes.
A maior parte deles era mais conhecida pelos artistas que sobrevoavam a imaginação inspirada nas telas, enquanto os baleiros e amantes compunham o complexo de prazer. Amigos, a lembrança e a fantasia são a essência dos acontecimentos, quem viver verá.
Os filmes brasileiros do tempo de Oscarito, Grande Otelo, Eliana Macedo, Fada Santoro, Adelaide Chiozzo, José Lewgoy provocavam ondas de prazer nos risos profundamente superficiais que provocavam.
Madrugada dessas, nos meus passeios atacando as estantes, encontrei os resumos que assisti. Muito engraçado e inventivo, podem crer. A gente foi crescendo com o cinema. Da adolescência em diante, ai de quem não conhecesse os clássicos do cinema mundial, seus óscares, seus terrores.
Quem não lembra da risadinha de canto de boca só para mostrar os dentes caninos do Conde Drácula? Mais horripilantes que as armas da Ucrânia, Rússia, Hamas, Israel, Irã, Iraque, Guiana Inglesa, Venezuela, etc.
Mas havia a solenidade nos clássicos que exigiam uma novidade, o cinemascope, por exemplo. Minha geração discutia cinema. Cada esquina elegia seus próprios ganhadores de Oscar, porque até serem exibidos no cine São Luiz e Santa Cecília levava uma eternidade.
Jean Cocteau, francês, dirigiu em 1946 “A Bela e a Fera”, e lhe deu o nome de “Magie”, magia, que é o anagrama de imagem. A metáfora servia à imaginação quem sabe psicanalítica, onde o amor depende somente do amor.
Depois de “Amor Sublime Amor”, em 1972, Bob Fosse, acho, lança “Cabaret”, brilhante e instigante comédia musical, viva e muito viva até hoje. Lembram, a Liza Minnelli? Algumas pequenas discussões em preto e branco povoaram as telas do mundo.
“Casablanca”, em 1943, sob a batuta de Michael Curtiz. Em uma certa cena, Humphrey Bogart, inventor do chapéu de lado, ao entrar em uma boate, encostado estrategicamente no piano, pediu ao final que o pianista repetisse a música dizendo entre lábios: “Play it again Sam" ("Toca de novo, Sam"). Essa frase rolou e rola como a representação da paixão revivida, quem não quer? Acontece, e já ouvi muita discussão sobre isso, que a frase não consta em nenhuma cena do filme. Mas o representa.
Filme
Cena de Casablanca Crédito: Divulgação
Em 1952, mais ou menos, Fred Zinnemann atacou de “Matar ou Morrer”. Mais que um faroeste pretendeu, e ainda pretende, acho, ser uma parábola sobre a coragem individual diante da covardia coletiva. Atlântida, que representava a produção nacional, não perdeu tempo: em todas as telas “Matar ou Correr”, uma comédia de igual sucesso.
“Teorema”, de Pier Paolo Pasolini, avisa que o cinema é um veículo privilegiado de exorcismo de todos os nossos males, de combate sobre a impostura e, ainda mais, de poesia, com forte apelo popular.
Assim, de madrugada, volto o pensamento para “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski, que em 1968 apresenta um bom diabinho, põe crença no demônio, nas seitas, nas forças ocultas e no terror divertido.
O insuperável Woody Allen nomeia um de seus primeiros roteiros, retomando com humor a famosa e inexistente frase, “play it again sam”, em “Sonhos de um sedutor”.
O cinema foi e sempre será muito mais que o filme.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, é vidrado no Pluto.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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