Até a adolescência era uma pessoa adaptada ao seu pequeno cérebro, mas lidava bem com a violência. Seria para sempre incapaz de pensar. Vivia em um momento em que os cargos eram originários de tudo na vida, exceto competência. Cresceu, porque tudo cresce.
Não era político, não era nada.
Nunca se sabe em quem está votando, a propaganda deita e rola e se aproveita da bela indiferença do povo, aguardando uma bússola.
Adoramos nos dizermos apolíticos. Não existe apolítico, existe abobado. Assim é que prevalece o cabresto, seja lá onde for amarrado: na direita, na esquerda, em cima ou embaixo.
Nosso herói podia falar o que quisesse. Ninguém dava bola às palavras mal conectadas. Autorreferia-se como superior e ilustre. O que fez nosso herói, então? Nada. Inventou esdrúxulas mentiras, segundo as quais toda a sabedoria estava com ele e isso era uma determinação genética e divina. Aprendeu a fazer gestos teatrais e fantasiar-se.
Apoiado por semelhantes, contou a primeira mentira do alto de um palanque qualquer: que o país estava acima de Deus e abaixo do Diabo. Proclamava que quem lhe seguisse em caminhadas, sem direção ou sentido, participaria da casta superior da humanidade, desde que tivesse a vocação para torturar e matar. A frustração pairava no ar. Mas não havia ninguém para contestar, todos haviam morrido na Primeira Guerra Mundial.
Adolf Hitler, então, arranja uma fantasia e uma cruz e se enfeita para aparecer publicamente com o único discurso que a plebe rude alemã entendia e sabia emitir: o grito! O povo aplaudia, sem saber o quê. Bem, precisavam recuperar as terras perdidas na guerra, de preferência fazendo mais guerras. Quem são os inimigos agora que a guerra acabou? Isso não é problema.
Os judeus, claro.
Foi assim que o povo de Israel, responsável por quase todas as conquistas da Ciência, foi decretado inferior, mas tinham prestígio e dinheiro. Hitler, guiado pelos seus cães de guarda, ordenou: matem, esfolem, mas tirem tudo que valer dinheiro e prestígio. Foi um pandemônio já que a estrutura do país, mesmo ferida pela primeira guerra, era sustentada por esse povo.
Vamos deixar de hipocrisia e reconhecer que não era apenas o partido do maior perverso do mundo que fazia sozinho essas coisas. Logo, toda a Europa simpatizou e aderiu à lei do bandido. A vergonha me impede de dizer que rapidamente conseguiu seguidores na Europa, na América Latina e – pasmem - nos Estados Unidos. Afinal, era apenas um idealista que assumira pela mais honesta eleição direta. Tinha um pequeno defeito: matar e torturar, além de milhares de judeus, ciganos, homossexuais, idosos, crianças e tudo que não espelhasse nazismo ou as suas alucinações.
Valha-me Santo Agostinho, como a história se repete e multiplica. Na Espanha, Franco; na Itália, Mussolini; e na América Latina, o fantasiado de mito também tinha muitos fiéis. No Brasil, o Movimento Estudantil saiu às ruas exigindo o comprometimento do nosso país contra o Eixo, o que aconteceu. Ao mesmo tempo, os nazis afundaram dois navios brasileiros, sem aviso prévio.
A nossa Força Expedicionária Brasileira (FEB) e a Aérea (FAB) perderam muitos heróis nas trincheiras. E não estavam tão bem equipados como outros. Foram na força e na raça sentar à pua.
Voltando ao perverso nazista, a sua incapacidade mental mostrava que não estava preparado sequer para vencer. O que seria da história se ele não tivesse fracassado? Partiu da Alemanha usando uma insuperável tática, arrasando tudo o que vinha pela frente. Alguns países adoraram ser conquistados. A prova de que Deus existe é que a Besta nazista autodestruiu-se, não só a ele mesmo, como os seus exércitos.
Então. Já haviam vencido a Rússia e toda a Europa. E agora?
Aí que deu o nó. Literalmente, não podia fazer mais nada que tivesse sentido, mesmo na sua lógica. E passou a alucinar novos inimigos. Foi aí que pirou de vez. Suas ordens eram absurdas. Tentaram matá-lo, mas esse tipo de peste não morre. Daí, quando teve que encarar Stalin pela segunda vez, levou ao extermínio os exércitos que restavam.
Até hoje não se sabe do corpo deste traste, que – dizem – suicidou-se.
E deixou seu povo entregue às pandemias.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, teve um pensamento: “É sempre com as melhores intenções que se faz o pior”.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta