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Paulo Bonates

O pó preto é nosso desastre diário

Brumadinho, pó preto e florestas... Assistindo a uma previsível bomba atômica, não mexemos um dedo

Publicado em 04 de Fevereiro de 2019 às 22:08

Públicado em 

04 fev 2019 às 22:08
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

paulobonates@uol.com.br

Pó Preto em Vitória Crédito: Reprodução/TV Gazeta
São os mesmos. As mesmas promessas, a mesma incompetência, as mesmas mentiras, os mesmos abusivos salários, as mesmas vis gratificações aos privilegiados. As mesmas variadas cumplicidades camufladas, ou não.
Senhoras e senhores, apresento-lhes os podres poderes. O ex-todas – todos os cargos – José Sarney chamava de “pudê”. Entre outras temeridades, lançava o lamaçal literário até no “ixteriô”. Um dos livros é Brejal dos Guajas. Humor barato (ler crítica de Millôr Fernandes).
Quanto mais muda, mais fica a mesma coisa. Respeitável público, se as pessoas assumissem as obrigações com o país talvez fosse diferente. Meu personal flanelinha não vota, “porque é obrigado e não adianta”. Lembram que denunciei Tia Cecy. Minha amada intelectual de palavras cruzadas revelou-me que o jogo só existe porque a pátria de Abrahão é Ur e tinha suas convicções: “Não me caso porque sexo obrigatório só mediante estupro”, exagerava.
Pois então.
A senhora aí, como todo o povo brasileiro, espera sentadinha o reinício do óbvio sistema aquaviário para uma ilha, os trens de carga e passageiros para o Rio, os portos em quantidade para as vias internacionais, o fim do descaso com o Estado pelo governo federal, qualquer que seja.
Assistindo a uma previsível bomba atômica, nós não mexemos um dedo. As tragédias de Mariana, Brumadinho, e outras tantas que invadem o país com a força e a brutalidade das catástrofes que não cessam nunca, não tiram a senhora do tricô, com o qual se relaciona com amor, desejo e patriotismo.
O pó preto, resíduo jogado em Vitória diariamente, chove impunemente. Quando participei ao lado de muitas consciências da Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente, conseguimos que colocassem pelo menos um filtro. Depois ficou tudo por isso mesmo. A Acapema nasceu a partir de um movimento popular legitimamente capixaba que foi para a Praça Costa Pereira impedir que o lixo atômico de Angra não fosse enterrado bem no nosso quintal.
Com o pó preto é o mesmo desastre, assim como os salários e aposentadorias de médicos na esfera federal, estadual, o escambau. As importantes gestões desses órgãos raramente obedecem critérios técnicos. São enfiados de cima para baixo sem que o tristemente célebre plano de cargos e salários seja levado a sério.
A incompetência, tanto quanto a estupidez e ausência absoluta de caráter foram as causas dos terrorismo de Mariana, Brumadinho e centenas de armadilhas estatais explodem com brasileiros dentro.
A floresta Amazônica é depredada à vontade e a senhora o que faz?
Depois não vá dizer que a cegonha lhe enganou.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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