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Análise

Contarato e Do Val: um usa a lei como arma; o outro, a arma como lei

Com relação à CPI da Covid, como se comportam os dois senadores do Espírito Santo eleitos na última eleição?

Publicado em 20 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

20 jul 2021 às 02:00
Paulo Brandão

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Paulo Brandão

serpaubrangio@yahoo.com

Marcos do Val e Fabiano Contarato durante sessão na CPI da Covid
Marcos do Val e Fabiano Contarato durante sessão na CPI da Covid Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado
Com relação à CPI da Covid, como se comportam os dois senadores do Espírito Santo eleitos na última eleição? Com voto casado de boa parte do eleitorado, Fabiano Contarato e Marcos Do Val tiveram 1.117.036 e 863.359 votos, respectivamente. Em comum, além da votação casada, os dois foram escolhidos no bojo do discurso da “nova política”, do lavajatismo e do bolsonarismo. Sendo um delegado de polícia, e o outro empresário em segurança e defesa pessoal. O primeiro mais à esquerda, e o outro à direita.
Para Jefferson Ferreira Alvarenga, pesquisador e doutorando em História Social das Relações Políticas pela Ufes, a participação do senador Contarato não é diferente daquilo que se esperava dele. Desde o começo segue uma lógica ideológica de linha mais progressista. O senador é a favor de investigações e adotou uma postura crítica em relação ao governo federal. Fez até hoje 100 pronunciamentos e apresentou 520 proposições.
Já o senador Do Val segue um modelo que sempre defendeu da Lava Jato e contrário ao movimento da esquerda. Ele foi do exército, 38º Batalhão de Infantaria, e segue a linha conservadora. Portanto, a defesa que faz em relação ao governo Bolsonaro é compreensível. Afinal, é ligado à área mais à direita da Segurança Pública. O senador fez 12 pronunciamentos e apresentou 295 proposições.
De fato, o senador Contarato tem se destacado nestes anos de mandato. Ele foi indicado, pelo segundo ano seguido, ao Prêmio Congresso em Foco nas categorias “Melhores no Senado”, “Clima e Sustentabilidade” e “Defesa da Educação”. Como presidente da Comissão de Meio Ambiente no Senado, é o vencedor da categoria especial “Clima e Sustentabilidade” do Prêmio Congresso em Foco 2020.
O doutorando Jefferson Ferreira Alvarenga destaca que Contarato sempre defendeu a lei como melhor método para a prevenção da violência. Tem o apoio na lei para defender seu ponto de vista. Do Val permeou sempre os grupos que defendiam a força e as armas como combate à violência. Desde quando era consultor do governo falava na força efetiva do policiamento como saída contra a violência.
Em relação à CPI da Covid, o doutor em Ciências Políticas e mestre em História das Relações Políticas da Ufes Ueber José de Oliveira explica a atuação de destaque do senador Contarato. Para ele, o fato do senador ter sido delegado "dota o mesmo de um faro investigativo e, além disso, ele conhece muito bem a legislação, por ofício, e também por ser professor de direito constitucional”.
A atuação na CPI da Covid deixou explícito as posições antagônicas dos dois senadores. Há clara divergência em suas concepções ideológicas. Contarato permeado por setores mais progressistas da própria política e da sociedade. E Do Val vem de uma linha mais dura do exército. Apesar de terem a mesma origem da segurança pública, não representam os mesmos setores da sociedade.
O professor Jefferson diz que, na CPI, Contarato mantém a posição coerente em relação à defesa das investigações e apurações da condução da pandemia. Principalmente agora na suposta compra da vacina Covaxin. Ele tem sido enfático na apuração dos fatos. Desde o início segue a mesma a posição. Já Do Val tem se manifestado no sentido de minimizar os fatos.
Em geral, Do Val tem seguido a lógica bolsonarista, com a minimização na CPI da condução da pandemia. Sua posição o afasta da possibilidade de acatar um possível pedido de impeachment. O professor destaca ainda que a defesa que o senador faz do governo do presidente pode lhe render desgaste político. Mas avalia que sua estratégia deverá ser esta até o final da CPI.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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