Faltam poucos dias para terminar 2020. Aos que conseguiram atravessar este deserto árido, quente, cheio de armadilhas e perigos, receberá do outro lado a recompensa de poder descansar num oásis de delícias. Não! Infelizmente esta não é uma pregação com fins de converter você a alguma ideologia, seita ou igreja. Gostaria de dizer coisas mais dóceis e angelicais. Mas a saga da travessia extrapola o lapso temporal do ano de 2020.
Em 2021, muitos dos problemas sociais e econômicos existentes hoje vão continuar. Cada um vai sofrer, por muito tempo, o impacto das consequências do coronavírus e da pandemia, que limitou o avanço dos atuais e novos projetos pessoais e coletivos. Será um ano de trabalhar o dobro para compensar as horas perdidas. Estudar mais para cumprir prazos estabelecidos e não ficar para trás. E acima de tudo, poder sonhar e buscar novas oportunidades de mudança de vida.
Saber das vacinas traz alívio e respiro. Dá a todos a esperança que faltava e a possibilidade de acreditar que vamos vencer o coronavírus. Porém, como não dá para ficar sentado enquanto a vacina não chega, temos que cuidar das nossas enfermidades sociais. O desemprego está na porta e traz no pacote os desalentados e informais. E na bagagem, a renda baixa, a fome e a miséria. Para estas doenças, os novos prefeitos não encontrarão uma vacina pronta para ser comprada. Não existe receita fácil para esta doença que afeta milhares de capixabas.
Que remédio injetar, então, em nossas cidades, para que o impacto do desemprego seja vencido e não cause tanto estrago na vida dos capixabas? De acordo com especialistas, cito três receitas. Primeira, a pandemia mostrou que a ausência de saneamento básico e a alta aglomeração de pessoas por metro quadrado causou mais doenças.
Sendo o Espírito Santo o segundo Estado em assentamentos subnormais ou favelas, de acordo com o IBGE 2020, faz necessário direcionar recursos para a saúde e investir em saneamento básico. Este tipo de política é essencial e deve ser priorizada para dinamizar a economia e a geração de empregos formais.
Uma outra são os programas sociais e políticas de transferências de renda. Esta política precisa continuar e deve ser ampliada. Neste momento difícil, é imprescindível ao enfrentamento da pobreza e para a garantia de consumo. No entanto, é preciso que os poderes legislativo e o executivo se unam para socorrer os prefeitos e a população. Pois em uma sociedade com base no consumo, os bens necessários à manutenção do ciclo de vida têm um preço e nem todos podem pagar. Estes programas garantem uma movimentação financeira, para que as as pessoas de baixa renda possam se manter até se estabilizar.
Uma última é apoiar e investir em construção civil, com projetos privados e de habitação de interesse social. Segundo Oliveira, F. Filho, no artigo “Construção civil, a locomotiva da economia”, este setor é amplo e não fica restrito somente a construtoras e incorporadoras.
Desde o estudo de viabilidade de um empreendimento, necessita de diversos serviços e de vários profissionais, como engenheiros, arquitetos, auxiliar administrativo, assistente de RH, pedreiro, gesseiros, entre outros. Também dos serviços das imobiliárias, dos corretores e fornecedores de materiais (indústria), empregados de outros setores, como o automobilístico, o de móveis, o de eletroeletrônicos e o de segurança.
Claro que cada governo vai agir de acordo com seu planejamento, considerando o cenário de pandemia que afeta a todos. Não existe ilha de prosperidade num tempo árido como este. É preciso, portanto, tomar decisões corajosas e fortes para arrecadar. Mas também incentivar o setor privado a investir na cidade, a ponto da economia voltar a girar para o bem de todos. O esforço compensará o resultado, que não será de imediato. O tempo de permanência da crise, portanto, dependerá das escolhas políticas de cada gestor e sua equipe. Sucesso aos novos gestores municipais.