Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Pandemia

Exaustos, estudantes do Ensino Médio pedem socorro para continuar

As graves consequências econômicas e sociais impactam o presente e o futuro das juventudes no Espírito Santo

Publicado em 29 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 jun 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

serpaubrangio@yahoo.com

Educação, escola, ensino
Sobre o Enem, os jovens da terceira série do Ensino Médio se revelam indecisos em relação à realização da prova de 2021 Crédito: Pixabay
Ao ouvir jovens estudantes da terceira série do Ensino Médio da rede pública na Grande Vitória, percebe-se que a ansiedade, a insônia e a exaustão formam a tríade que os acompanha na pandemia e compõe um combo desafiador. É o que relatam os familiares, profissionais da Educação, professores e equipe de apoio pedagógico, bem como diretores de escola. Além dos estudantes, muitos profissionais também sofrem com esta incerteza instalada.
A escola, enquanto instituição, parece lutar sozinha com seus bravos profissionais quando se trata de resgatar alunos que perderam o interesse em estudar. Este grupo de alunos preocupa os profissionais que atuam na educação de nossos jovens. Este é o lado positivo, mas muitos se sentem impotentes, apesar dos recursos que dispõem e dos investimentos do Estado na educação pública neste período de pandemia.
Como bem disse um professor da rede estadual, “não se trata só de investimento com recursos em obras e projetos, estes desanimados, desalentados, precisam ser ouvidos, precisam ser apoiados e resgatados, bem como suas famílias ”. Essa tarefa complexa está além da atuação da escola. A resposta a esse drama humano só pode ser dada com a construção de soluções sistêmicas, o que exige uma atuação em conjunto de todos os órgãos públicos, nas diversas instâncias de cada cidade.
Essa realidade dos jovens no Espírito Santo é parte de um diagnóstico nacional apontado pela pesquisa "Juventudes e a Pandemia do Coronavírus", publicada em maio de 2021. Ela foi organizada pelo Conselho Nacional de Juventude, Fundação Roberto Marinho, Rede Conhecimento Social, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que ouviram mais de 68 mil jovens no país. Teve como objetivo criar e ampliar espaços de diálogo para definir prioridades e caminhos na ação para as juventudes do Brasil, bem como pautar e influenciar tomadores de decisão (públicos ou privados).
A pesquisa traz dados preocupantes que apontam riscos para a continuidade dos estudos. Ela mostra que um grande número de jovens parou de estudar. Sendo que o número aumentou neste ano, o que preocupa. Saltou de 26% em 2020 para 36% em 2021. Os principais motivos são financeiro (21%) e dificuldades com ensino remoto (14%).
Eles pretendem voltar a estudar, mas querem ter estabilidade sanitária e melhores condições econômicas. Quatro a cada dez jovens matriculados admitem ter considerado deixar os estudos neste ano. A preocupação com o futuro e o ingresso no mercado de trabalho é o que os mantêm matriculados.
Sobre o Enem, os jovens da terceira série do Ensino Médio se revelam indecisos em relação à realização da prova de 2021. Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta que cresce a proporção de jovens que já pensaram em desistir do exame. Para continuar estudando e avançar com motivação para fazer um Enem, os jovens pedem apoio.
Querem atividades para lidar com as emoções (61%). Até porque a questão da saúde mental foi tema prioritário entre jovens. Com um ano de pandemia, 6 a cada 10 jovens relatam ansiedade e uso exagerado de redes sociais; 5 a cada 10 sentem exaustão ou cansaço constante; e 4 a cada 10 têm insônia ou tiveram distúrbios de peso.
Apesar da vacinação que avança, a doença segue se alastrando, com números de infectados e de mortos. As graves consequências econômicas e sociais impactam o presente e o futuro das juventudes no Estado. Por isso é preciso enfrentar esta realidade instalada em nosso meio para que nossos jovens e seus familiares possam passar com menos sofrimento pelo agravamento das desigualdades sociais e seus efeitos sobre a saúde mental, a segurança alimentar e o processo educativo.
Entre os jovens ouvidos, metade considera prioritário garantir atendimento psicológico na saúde pública e 37% acham que esse atendimento deveria acontecer nas escolas. Órgãos como Ministério Público, Conselho Tutelar, Vara da Infância e Juventude, CREA e CRAS, bem como coletivos sociais, precisam ser envolvidos de forma direta. Em uma batalha nunca vista antes, não tem como agir sozinho e usar os mesmos recursos.
Instituições que têm um caráter mais punitivo e de fiscalização podem e devem contribuir mais e ser também propositivas. Exaustão. Esta é a palavra que marca a nossa juventude. Está em nossas mãos o dever de agir enquanto é tempo para podermos socorrer essas vidas sufocadas pela pandemia. É isso que se espera de quem se propôs a atuar com infância e juventude no Espírito Santo.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Governo Trump manda delegado da PF que ajudou ICE a prender Ramagem deixar os EUA
Agência do Banco do Brasil em Baixo Guandu voltou a funcionar normalmente
Agência do Banco do Brasil volta a abrir em Baixo Guandu
Viatura da Polícia Militar
Criminosos invadem obra e causam prejuízo de R$ 50 mil na Praia da Costa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados