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Economia

O capixaba carrega sozinho o fardo do desemprego

Enquanto o trabalho não aparece, o cavaleiro solitário, mesmo na adversidade, mesmo descontente, ouve as críticas e tem que seguir firme, para a batalha da sua vida

Publicado em 20 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 out 2020 às 05:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

serpaubrangio@yahoo.com

Homem solicita seguro-desemprego em agência do antigo Ministério do Trabalho
Homem solicita seguro-desemprego em agência do antigo Ministério do Trabalho Crédito: Marcos Fernandez
No embalo da incompetência, da malfadada política econômica, o governo federal consegue um feito: piorar as condições de trabalho da maioria do povo. A ausência completa de sensibilidade social e a falta de política pública do governo omitem a população que mais precisa. Próximo do fim de mais um ano, este governo ainda não entregou melhora material para a população mais vulnerável.
Para piorar, a defesa do Estado mínimo e seu pacote de maldades fica ainda mais terrível com o avanço da maior pandemia da historia. O saldo não podia ser outro: recorde de desemprego em 2020, com a ampliação do número de trabalhadores sem carteira assinada e aumento da desigualdade e da miséria.
Este terrível rolo compressor atingiu em cheio os capixabas, e o ES já tem, segundo dados do mês de agosto, 247 mil trabalhadores desocupados (PNAD - Covid), 104 mil subocupados. E dos 1,93 milhão de ocupados, 41% são informais.
Como conter a velocidade desta crise que afeta diretamente a vida dos mais pobres? Segundo economistas, só medidas emergenciais não serão suficientes. Está claro que o desafio é bem maior e exige ações firmes por parte do Estado. Mas quem está preocupado com vida do desempregado? Como vive o capixaba nestas condições? Que sentimentos possui alguém que não tem certeza do que comer amanhã?
Enquanto aqueles que estão ocupados trabalham o dia todo. Vivem em sua rotina de engarrafamentos, novas amizades e colegas de trabalho, cafés e novas experiências e atualizações. Aos desempregados, só há o fracasso no espelho. O desempregado vive em sua triste solidão e só vê o outro em raras ocasiões. Carregam sozinhos esse  peso.
Mas afinal de quem é a culpa de estarem desempregados? Deles mesmos? Sim. Segundo o filosofo Byung-Chul Han vivemos a Sociedade do Cansaço, que impõe a ditadura da positividade: na qual o indivíduo vive na exploração de si. A culpa do seu fracasso é sempre de si mesmo. Se não conseguir, é porque não explorou o suficiente. Ninguém melhor para dizer que você não fez o bastante do que você mesmo. Esta é a lógica que permeia a vida em sociedade hoje.
Para ele, isso é o que dirão seus familiares e amigos: a culpa é sua porque você não busca qualificações profissionais; não enviou currículos o suficiente; não se saiu bem na entrevista de emprego e perdeu a oportunidade. Tudo está em seus ombros, afinal, nos ombros de quem a responsabilidade deveria estar?
Deveria ser do Estado e seus gestores a implementação de políticas públicas para combater o desemprego e avançar na geração de renda. Mas, enquanto isso não acontece, o cavaleiro solitário, mesmo na adversidade, mesmo descontente, ouve as críticas e tem que seguir firme, para a batalha da sua vida, em busca da sua glória. Eis a saga dos capixabas desempregados.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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