Enquanto trabalhadores, empreendedores e várias categorias de profissionais no Espírito Santo aderiram, com sacrifícios mil, ao "fica em casa", grupos de outros tantos capixabas saem para farra e insistem em tratar a pandemia como uma “gripezinha”, com desprezo e total falta de respeito à vida de todos que sofrem a dor do luto.
Num país de “maricas”, para se não ser tachado de “esquerdista” ou “socialista”, melhor mesmo é seguir a boiada, de verde e amarelo, rumo ao precipício. É como age este povo que resolve fazer festas, lotar praias, encher carrinho de supermercado, como se o mundo fosse acabar amanhã.
Logo nesta santa semana, momento que o Espírito Santo passa o maior inferno pandêmico da história. O coronavírus, com suas variantes, ameaça a vida dos capixabas, cria o caos e se torna uma “peste” incansável. Mas ele não age sozinho. Ele avança e se fortalece por que conta com um grande apoiador. Este sim, entre os capixabas, é um dos maiores vilões: o estúpido. Foi Carlo M. Cipolla, filosofo italiano, no livro “As leis básicas da estupidez humana” que desnudou de forma sarcástica quem é esta a figura terrível entre nós.
Segundo Cipolla, eles sempre existiram e muitos deles assumem cargos de alto escalão na vida pública. Contudo, com a pandemia, acentuou-se a impressão de que eles são em número bem maior do que se imagina. É o que diz a primeira lei básica da estupidez humana: “sempre e inevitavelmente, todos subestimam o número de indivíduos estúpidos em circulação”.
Para ele, não tem como medir a quantidade de estúpidos dentro de uma determinada localidade. Isso quer dizer, em termos pandêmicos, ainda haverá muitos estúpidos por aí fazendo asneiras. É o que diz a segunda lei: “a probabilidade de certa pessoa ser estúpida independe de qualquer outra característica dessa pessoa”. Muitos estúpidos são ricos e frequentam as melhores faculdades.
Segundo esta lei, até pessoas que são julgadas como racionais e inteligentes podem se revelar grandes estúpidos. E eles aparecem de forma repentina, quando se menos espera, em lugares e atividades do dia a dia, nos momentos mais improváveis. É o que está nas ruas das nossas cidades capixabas, o descaso com a vida.
Numa estupidez sem fim, eles rolam como a pedra. Movem-se praticamente desprovidos do princípio de realidade. O princípio do outro, do colocar-se no lugar de alguém e sentir a sua dor. Princípio que deveria nos dar resistência frente ao inferno sanitário atual.
Mas neste inferno, o eu da estupidez se sobrepõe sobre qualquer norma e regra, já que o outro já não existe mais, diante da estupidez sem tamanho. Se abordado em atitude suspeita, o indivíduo não vai aceitar o rótulo de estúpido. E vai dizer “eu não sou estúpido”. Mas há uma dica que permite detectar o grau de estupidez em questão. Basta ver se a atitude que está tomando resulta em perda para os demais e para si mesmo.
Quando a vida de todos é colocada em cheque por causa de alguma criatura absurda que nada tem a ganhar, e ainda causa constrangimento, dificuldades ou danos à coletividade, trata-se de um estúpido em ação. Eis outra lei básica da estupidez humana: “Uma pessoa estúpida é uma pessoa que causa perdas a outra pessoa ou a um grupo de pessoas, enquanto ela própria não obtém nenhum ganho e, possivelmente, até mesmo incorrerá em perdas”.
As várias leis da estupidez humana destacadas por Cipolla confirmam o nosso maior medo: pessoas estúpidas mandam no mundo e colocam a vida de todos em risco. Esta poderosa força prejudica o bem-estar, a saúde e a felicidade da maioria. Ela é muito poderosa, às vezes mais poderosa que o tráfico de drogas e as forças policiais. Seus efeitos podem ser catastróficos e globais. Ela é onipresente até entre intelectuais.
Como se trata de uma crise sanitária, para vencê-la é preciso vencer antes a estupidez capixaba. Para isso só tem uma saída. É preciso tomar uma decisão com urgência antes que seja tarde. Pois a quinta lei denuncia algo que não se pode negar: “Uma pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa”. Ela contagia os demais e pode levar tudo a perder. Com estes estúpidos a solta por aí, a sociedade capixaba fica mais empobrecida e doente.
Em vez de considerar o bem-estar do indivíduo, o governo deve agir com determinação e garantir o bem-estar da sociedade e punir os estúpidos de plantão que não respeitam o decreto estadual antes que seja tarde demais.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta