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Política

Quem são os bolsonaristas nas eleições de 2022 no ES?

No Espírito Santo, este grupo está ativo e segue um caminho semelhante a de outros Estados

Publicado em 25 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 mai 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

serpaubrangio@yahoo.com

Manifestantes bolsonaristas protestam em frente ao Palácio Anchieta, contra medidas restritivas adotadas pelo Governador Renato Casagrande no enfrentamento da pandemia da Covid-19
Em março, manifestantes bolsonaristas protestaram contra medidas restritivas adotadas no enfrentamento da pandemia da Covid-19 Crédito: Fernando Madeira
Com coautoria de Jefferson Ferreira Alvarenga*
O vazio deixado pelo campo progressista alçou ao poder, em todo canto do país, um fenômeno político até então desconhecido, denominado de onda bolsonarista. No Espírito Santo, este grupo está ativo e segue um caminho semelhante a de outros Estados. Eles se caracterizam por um discurso conservador cristão, com aversão à esquerda, aos direitos humanos e à cidadania.
Apesar de estarem abrigados em siglas diferentes, a maioria das lideranças levanta a bandeira defendida pelo movimento integralista “Deus, pátria e Família”. Dizem ser contra a corrupção. Adotam como símbolo a bandeira nacional e a camisa verde e amarela. Por meio das redes sociais, ou pequenas manifestações coletivas, utilizam o discurso nacionalista, muito idêntico a governos autoritários, como o fascismo e o nazismo.
Em 2018, o seu principal líder, o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL na época), obteve no Espírito Santo uma expressiva vitória com 54,76% dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) alcançou 24,20%. Se dependesse apenas do Espírito Santo, Bolsonaro seria eleito no primeiro turno. Esta mesma onda bolsonarista elegeu um grupo de 10 deputados, entre eles o capitão Assumção (Patriota) e o atual prefeito de Vitória, então deputado Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Os dois se caracterizam com a mesma origem bolsonarista e mantêm um discurso radical, ou seja, o “bolsonarismo raiz”. Com esse discurso conseguiram se eleger à Assembleia Legislativa. Assumção por sua origem militar, e Pazolini por atuar em pautas com atores políticos conservadores. Como delegado, se destacou na CPI dos Maus-Tratos a Crianças e Adolescentes, ao lado do então senador Magno Malta. Com sua atuação e apelo midiático, conseguiu se eleger a deputado, e em seguida a prefeito de Vitória.
Além destes atores, temos na Câmara Federal seis deputados com relação estreita com o bolsonarismo. São eles Dra. Soraya Manato (PSL), Norma Ayub (DEM), Lauriete (PR), Evair de Melo (PP), Neucimar Fraga (PSD) e Amaro Neto (PRB). Sendo que Evair de Melo e Soraya Manato se destacam como mais próximos à figura do presidente da República. E Amaro Neto, por ser do PRB, partido conservador de direita, da igreja Universal, figura como liderança no campo conservador.
Contudo, sendo este movimento constituído por forças heterogêneas, terá dificuldades de construir um projeto de governo estadual coerente e unificado, principalmente por causa do próprio enfraquecimento da base social do presidente Jair Bolsonaro. Muito também pelas ações atrapalhadas do governo federal na condução nacional da pandemia.
Sem contar que gerou insatisfeitos na camada média da sociedade e na elite com a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, os escândalos políticos ligados aos filhos do presidente, o desemprego e finalmente a CPI da Pandemia. Todos esses motivos colocam o campo conservador estadual em dificuldades de alimentar uma possível vitória na direção executiva estadual. Contudo, o presidente, que é candidato à reeleição, precisa de um palanque no Estado, caso contrário poderá haver um segundo turno. Isso de fato motiva a organização do grupo conservador para disputa.
Os fatos dos últimos dias tornam visível que este grupo vai tentar se viabilizar para a disputa ao governo do Estado. Isso fica evidente com o anúncio da vinda do presidente Bolsonaro ao Espírito Santo, quando os líderes deste movimento, deputado Evair de Melo e o ex-deputado Manato, tentam capitanear, por meio das redes sociais (live), mais força política. Além disso, a ministra Damares Alves, preferida do prefeito Lorenzo Pazolini, esteve em Vitória no dia 18 de maio por ocasião do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Entretanto, para disputar terão que escolher um nome. O ex-deputado Manato já foi testado e tem se mostrado fiel ao bolsonarismo e ao próprio Bolsonaro. Além de contribuir com o governo por meio do apoio de sua esposa, a deputada Soraya Manato, na votação das pautas importantes.
Todavia, é claro que o campo político não descarta a possibilidade do prefeito de Vitória, Pazolini, ser o candidato que unificaria o centrão e todo o segmento político conservador do Espírito Santo (direita e extrema direita). No entanto, a política real segue as palavras do pensador florentino Nicolau Maquiavel, a fortuna é conquistada apenas pelos homens audazes, portanto nos cabe acompanhar e ver como se comportam os atores nesta conjuntura.
*Jefferson Ferreira Alvarenga é cientista social e doutorando em História Social das Relações Políticas pela Ufes

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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