A próxima matriz de risco, ainda sem data para ser divulgada pelo governo do Estado, vai estabelecer medidas que levarão em conta o setor cultural e de eventos no
Espírito Santo. Em outras palavras, profissionais da área de festas vão poder voltar a operar se respeitarem a diretriz sanitária que ainda está em fase de elaboração.
À coluna, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) adiantou que vem discutindo o tema com frentes empresariais e Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) para tomar a decisão que for mais prudente em meio à
pandemia da Covid-19.
O anúncio da inclusão dos eventos no novo texto do governo, dado pela Secult, chega em meio à mobilização do alto escalão empresarial ligado à produção e execução de festas do Espírito Santo para manifestação na Praça do Papa. Parados há quase cinco meses, grupos da área decidiram se juntar para o SOS Eventos Sociais, protesto pacífico marcado para a próxima quinta (13), a partir das 15h, no ponto turístico da Capital.
Durante o ato, que teve adesão de grandes grupos empresariais – a chamada “elite dos eventos” capixaba –, os profissionais vão reiterar o pedido de inclusão do setor na matriz de risco para que, assim, possam prever retorno gradual e seguro das atividades mesmo durante o surto do coronavírus no Estado. Só para se ter ideia, empreendimentos do calibre do Centro de Convenções de Vitória vão participar da manifestação pacífica.
“O secretário de Cultura e o de Turismo já nos sinalizaram, na última semana, que vamos entrar nessa matriz de risco. E parece que é bem breve. O que queremos agora é estarmos inseridos na elaboração dessas novas regras e confirmar, de fato, que a gente esteja na próxima matriz”, fala a empresária Flávia Pacheco.
Segundo ela, os empresários também cobram agilidade das autoridades, já que existem modalidades de festas que podem ser feitas de forma controlada mesmo com a pandemia do vírus. Flávia dá o exemplo de um evento para 30 pessoas: “Restaurantes e bares já estão ficando lotados. E você pensa: uma festa para pouca gente é viável. Dá para controlar todos os visitantes, os fornecedores, e é tudo de fácil notificação, se for o caso”.
A empresária
Xuxu Neffa, que é uma das diretoras do Grupo Neffa, já havia manifestado revolta na internet com post em suas próprias redes sociais. No Facebook, ela escreveu: “Absurdos e incoerências. Eis meu apelo à autoridade política, que parece haver esquecido de todo um segmento que, sabiamente, gera emprego e renda”.
E continuou: “Em São Paulo já impera um protocolo rígido e funcional. Portanto, vejo como pertinente a adoção de medidas afins no Espírito Santo, em benefício de toda uma categoria enforcada por não poder exercer sua profissão”.
Xuxu avaliou que a proibição para o setor de festas é incoerente frente às liberações que o governo do Estado já vem fazendo, como shoppings, bares e restaurantes. “A proibição que impera é, além de desumana contraproducente e, acima de tudo, incoerente com as demais liberações que há por aí. Turismo gera emprego e renda”, registrou.
Procurada pela coluna, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) garante que eventos e outros setores culturais serão contemplados pela próxima matriz de risco, que deve ser lançada em breve. Segundo a pasta, o novo texto focará no momento atual da pandemia, “que traz para os especialistas da saúde novos desafios de parametrização”, como diz trecho da nota enviada pelo governo do Estado.
A Secult destaca ainda que vem fazendo reuniões com frentes e representantes do segmento de eventos, inclusive em conjunto com a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), e o debate em torno das operações de festas não foram deixados de lado.
“Além disso, a Secult destaca que, via
Lei Aldir Blanc, quase R$ 60 milhões serão investidos na Cultura no Espírito Santo. O setor poderá solicitar renda emergencial de R$ 600 por cinco meses para fazedores culturais e também auxilio de R$ 3 mil a R$ 10 mil por mês para espaços culturais, microempresas, produtoras, escolas de teatro, pontos de cultura, cineclubes e outros”, conclui a secretaria estadual.