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Crítica

"A Incrível História de Henry Sugar", da Netflix, é diversão curta e fantasiosa

Novo filme de Wes Anderson na Netflix traz história de Roald Dahl, criador de "A Fantástica Fábrica de Chocolates", contada de maneira inusitada

Publicado em 27 de Setembro de 2023 às 20:12

Públicado em 

27 set 2023 às 20:12
Rafael Braz

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Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "A Incrível História de Henry Sugar", de Wes Anderson, disponível na Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Escrita por Roald Dahl, autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolates” e “Matilda”, “A incrível História de Henry Sugar” ganha uma adaptação diferente na Netflix. Lançado no formato de média-metragem, com 37 minutos de duração, o filme dirigido por Wes Anderson (o primeiro de quatro adaptações do autor para a Netflix) é muito menos uma narrativa dramatizada das escritas de Dahl e mais uma leitura encenada da obra.
O filme tem início quando vemos o próprio Dahl (Ralph Fiennes), o narrador primário, que nos introduz à história que veremos a seguir. Ele apresenta Henry Sugar (Benedict Cumberbatch), um homem de 41 anos, bonito, mas nem tanto, um herdeiro que nunca trabalhou na vida, mas sempre disposto a ficar mais rico, custe o que custar.
Em sua casa de campo, Sugar se depara com um livro sobre Imdad Khan (Ben Kingsley), um indiano capaz de enxergar sem usar os olhos. Neste ponto, “A Incrível História de Henry Sugar” ganha novos tons, narrada pelo autor do segundo livro, o Dr. Chatterjee (Dev Patel), médico que registrou o fenômeno e conta a história desde seu início. Aprendemos que Khan foi aprendiz de um ermitão mestre do ioga com capacidade de concentração que lhe garantia habilidades ímpares. Obcecado com a possibilidade de usar esse poder para ler cartas e ganhar dinheiro, Sugar passa a dedicar sua vida a alcançar tal habilidade.
“A Incrível História de Henry Sugar” traz a assinatura característica de Wes Anderson, da paleta de cores à simetria, passando por elaboradas trocas de cenários, mas traz algumas novidades. A constante quebra da quarta parede, afinal os livros estão sendo lidos para o espectador, dá um tom diferentes à obra, mas mantém o aspecto cômico. Anderson parece plenamente ciente de seus clichês, da maneira como eles viralizam, e busca entregar exatamente isso – ainda funciona, mas até quando?
Filme
Filme "A Incrível História de Henry Sugar", de Wes Anderson, disponível na Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
O texto de Dahl, parte de um livro de contos, é um de seus trabalhos mais maduros. A história de Henry Sugar tem camadas interessantes e apresenta a fantasia com seriedade, como se aquilo fosse uma história real. É nesse contraste de absurdos que reside a força do filme lançado pela Netflix.
Por mais que estejamos assistindo a uma história fantasiosa, não há magia em cena, tudo é montado como seria em uma peça de teatro de orçamento mediano; se alguém levita, por exemplo, é apenas o ator sentado em cima de uma caixa pintada como o ambiente. Da mesma forma, toda a jornada final de Henry Sugar após sua “descoberta” é contada rapidamente, de forma cômica, mas funciona. É justamente esse ar de contação de histórias que torna “A Incrível História de Henry Sugar” único, pois tudo é possível quando se conta uma história – uma contação sem algum exagero tem potencial limitado.
Filme
Filme "A Incrível História de Henry Sugar", de Wes Anderson, disponível na Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
É ótimo ver Wes Anderson brincando com seus clichês em “A Incrível História de Henry Sugar”. Os personagens, mesmo os com pequenas aparições, são ótimos, com um tom de esquisitice que combina tanto com o cineasta quanto com o texto de Dahl. Ao fim, a impressão é de que a mistura entre o diretor e o autor é mais uma vez certeira, como já havia sido no espetacular “O Fantástico Sr. Raposo”. O filme é curto e talvez merecesse alguma profundidade, mas mantém exatamente o aspecto de um conto.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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