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Crítica

"Cães de Caça": Violenta e bem construída, série da Netflix é ótima

Série coreana "Cães de Caça" usa crise social causada pela pandemia como ponto de partida para uma trama de ação com bons personagens

Publicado em 13 de Junho de 2023 às 17:41

Públicado em 

13 jun 2023 às 17:41
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Série coreana
Série coreana "Cães de Caça", da Netflix Crédito: Soyun Jeon, Seowoo Jung/Netflix
“Cães de Caça” tem início em dezembro de 2020, um momento crítico da pandemia, quando um senhor tossindo muito e aparentemente bêbado é proibido de entrar no ônibus sem máscara. Após brigar com o motorista e tentar entrar à força, o sujeito é “demovido” da ideia por Kim Gon-Woo (Woo Do-Hwan), um lutador de boxe que tentava pegar o mesmo coletivo. A série coreana da Netflix não é uma obra sobre a pandemia de Covid-19, mas usa com inteligência as mudanças sociais causadas por ela para construir seu drama.
Escrita e dirigida por Kim Joo-hwan, “Cães de Caça” tem início quase como uma série esportiva. Em um torneio (sem plateia, devido à pandemia), Gon-woo massacra os adversários até chegar à luta final, contra Hong Woo-Jin (Sang-yi Lee), um boxeador de estilo completamente diferente, mas que também chegou facilmente à final. Após a luta, eles saem para jantar até como uma forma de respeito um pelo outro.
É muito interessante como a série, já de início, cria personalidades tão distintas para seus protagonistas. Gon-Woo é disciplinado, respeitoso, enquanto Woo-Jin é abusado, provocador e pouco paciente – o estilo de luta de cada um deles representa essas personalidades de maneira muito eficaz. Eles criam um vínculo real a partir de suas similaridades, mas, principalmente, por enxergarem no outro algo que lhes falta.
O boxe, vale ressaltar, é apenas uma ambientação. Gon-Woo luta para conseguir dinheiro para sua mãe pagar os empréstimos adquiridos para manter seu café de pé; a pandemia acabou com o movimento, mas o dono do imóvel não abaixou o valor cobrado pelo aluguel. Paralelamente, a série apresenta outro núcleo, no qual Kim Myeong-gil (Park Sung-woong) mostra um tipo de esquema financeiro para comprar um hotel e abrir um cassino. Gradualmente, o texto traz a complexidade dessa engrenagem – através de uma empresa, Myeong-gil dá golpes em agiotas e em pequenos empresários, como a mãe de Gon-Woo, com dificuldades de sobreviver.
Série coreana
Série coreana "Cães de Caça", da Netflix Crédito: Soyun Jeon, Seowoo Jung/Netflix
Woo-Jin, um ex-cobrador de agiotas, apresenta Gon-Woo ao Sr. Choi (Huh Joon-ho), um ex-agiota que agora empresta seu dinheiro sem juros para os mais necessitados. O roteiro é inteligente ao resolver logo seus mini-conflitos enquanto desenvolve o arco principal. Assim, “Cães de Caça” parece estar sempre em movimento, mesmo quando recorre a algumas repetições narrativas – os oito episódios de cerca de uma hora poderiam facilmente ser reduzidos para cinco.
“Cães de Caça” traz muitos personagens e tramas que inevitavelmente se encontram. A série logo deixa de ser uma obra sobre boxe ou até mesmo sobre seus dois protagonistas, se transformando em algo maior, mais complexo. Enquanto os pobres vivem a crise instaurada pela pandemia, os ricos se divertem em festas clandestinas e aplicam golpes que os deixam ainda mais ricos.
Série coreana
Série coreana "Cães de Caça", da Netflix Crédito: Soyun Jeon, Seowoo Jung/Netflix
A série, baseada na webcomic “Sanyanggaedeul”, de Jung Chan, tem ótimas cenas de ação. É curioso como quase toda a violência da narrativa se dê por lutas corporais, nunca com a utilização de armas de fogo, o que obviamente funciona a favor dos dois exímios boxeadores que o texto tem como protagonistas. As sequências são filmadas em takes relativamente longos, dando ênfase às coreografias e à fluidez dos movimentos de Gon-Woo e Woo-Jin, nos fazendo acreditar que eles realmente são muito bons naquilo e capazes de derrotar as hordas de capangas que normalmente surgem do nada.
Respeitando suas origens, a série em vários momentos se aproxima de uma história em quadrinho. Nas lutas, é possível imaginar a sequência de quadros ganhando vida, o que é reforçado pelas boas atuações de Woo Do-Hwan e Sang-yi Lee, sempre entre o exagero, marca dos dramas coreanos e também dos mangás, e um tom mais sóbrio que combina com a pegada da série.
Série coreana
Série coreana "Cães de Caça", da Netflix Crédito: Soyun Jeon, Seowoo Jung/Netflix
Há problemas narrativos, como uma personagem importante que some após uma virada, e outros de desenvolvimento, com personagens que ganham destaque no terceiro ato sem terem sido devidamente construídos, mas “Cães de Caça” ainda assim funciona. A proximidade da trama com acontecimentos reais, e seu estilo mais “pé no chão” tornam a série coreana da Netflix uma das boas surpresas do ano na plataforma.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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