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Crítica

"Caleidoscópio", da Netflix, é a primeira grande série de 2023

Minissérie de assalto da Netflix prende o espectador com texto inteligente, bons personagens e episódios que podem ser assistidos em qualquer ordem

Publicado em 03 de Janeiro de 2023 às 18:45

Públicado em 

03 jan 2023 às 18:45
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Minissérie
Minissérie "Caleidoscópio", da Netflix Crédito: DAVID SCOTT HOLLOWAY/NETFLIX
A ideia inicial de “Caleidoscópio” é oferecer uma experiência diferente. Sete dos oito episódios da nova minissérie da Netflix podem ser assistidos em qualquer ordem e a plataforma até cria ordens aleatórias para cada usuário - apenas o último, por motivos óbvios, permanece igual para todos. Por mais confuso que possa parecer, tudo funciona muito bem em um dos melhores lançamentos da Netflix dos últimos tempos.
“Caleidoscópio” é uma história de assalto clássica e muito divertida. Desde o início sabemos que um grande roubo vai acontecer, um plano daqueles impossíveis, mas, antes, somos apresentados aos personagens em arcos que se passam em um recorte de 25 anos, antes e depois do roubo, que é devidamente guardado para o episódio final.
Gradualmente vamos conhecendo a equipe formada por Leo Pap (Giancarlo Esposito, ótimo), o líder da trupe formada ainda por seu ex-companheiro de cela, Stan (Peter Mark Kendall), pela advogada Ava (Paz Vega), pelo motorista RJ (Jordan Mendonza), e pelo casal Bob (Jai Courtney) e Judy (Rosaline Elbay), dois arrombadores com talentos e temperamentos distintos. Em cada episódio, vamos entendendo a dinâmica entre eles e as histórias que os levaram até aquele ponto.
É interessante como o texto distribui as peças de seu quebra-cabeças, pois nada é ignorado e nada é gratuito. Assim, quando finalmente chegamos ao clímax e a última peça se encaixa, a recompensa é ótima, pois a narrativa conduz o espectador até aquele momento com maestria, o fazendo desenvolver sentimentos em relação aos personagens e suas jornadas.
Minissérie
Minissérie "Caleidoscópio", da Netflix Crédito: DAVID SCOTT HOLLOWAY/NETFLIX
Com bom tempo para contar a história, Eric Garcia, autor também do livro que deu origem ao bom filme “Os Vigaristas”, de Ridley Scott, cria uma trama inteligente e personagens bem desenvolvidos - do núcleo principal, apenas RJ não ganha profundidade, mas seu personagem, ainda assim, tem bons momentos.
Esse desenvolvimento é imprescindível para que a série funcione e para que o espectador tema pelo destino de cada um dos personagens quando as coisas começam a fugir do planejado. Na construção dessas personas, o texto acerta a situar seus personagens na área cinza, sem maniqueísmo, da policial Abassi (Niousha Noor), uma mãe ausente com um triste passado, ao grupo de protagonistas; até Roger Salas (Rufus Sewell), dono da agência de segurança alvo dos ladrões e quem mais se aproxima de um antagonismo, desperta alguma simpatia.
Minissérie
Minissérie "Caleidoscópio", da Netflix Crédito: DAVID SCOTT HOLLOWAY/NETFLIX
Tecnicamente, “Caleidoscópio” é ótima, seguindo a fórmula dos filmes de assalto, mas subvertendo algumas estruturas. Ainda, a série tem ótimas atuações, uma estética simples, mas muito bem construída (atenção às cores), e uma montagem excelente. Todo mise-en-scène confere à minissérie um ar grandioso e ambicioso digno das grandes obras do gênero, mantendo um certo tom de exagero para tornar o plano espetacular, mas também nos fazendo crer que, de alguma forma, tudo aquilo é ao menos possível.
“Caleidoscópio” tem boas viradas e carrega o mérito de trabalhar esses momentos ao longo da minissérie, sem simplesmente jogá-los de qualquer forma com o único intuito de causar surpresa, como faz, por exemplo, a péssima “Olhar Indiscreto”, também da Netflix. Quando alguma informação é finalmente exposta, o espectador atento conecta todas as pistas entregues de forma orgânica nos episódios anteriores e se sente valorizado pela série.
Minissérie
Minissérie "Caleidoscópio", da Netflix Crédito: DAVID SCOTT HOLLOWAY/NETFLIX
Inteligente, divertida e muito bem realizada (o episódio do assalto é um primor), “Caleidoscópio” é a primeira grande série de 2023. A minissérie da Netflix oferece uma história de ação, humor, suspense e drama conduzida por bons personagens e por um texto que não subestima a inteligência do público. Ao fim, o espectador se sente recompensado pelo tempo investido na narrativa, e isso é um dos maiores elogios que podem ser feitos a uma obra de pegada pop.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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