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Crítica

"Como Seria Se...", da Netflix, é ótimo ao apostar no simples

Drama de amadurecimento com toques de comédia romântica, "Como Seria Se..." foge das coincidências e da inevitabilidade com histórias de possibilidades reais

Publicado em 17 de Agosto de 2022 às 16:21

Públicado em 

17 ago 2022 às 16:21
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Como Seria Se...", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
“Como Seria Se…”, lançado nesta quarta (17) pela Netflix, inicialmente parece uma comédia romântica e até se vende como tal, mas o filme dirigido pela queniana Wanuri Kahiu (do bom “Rafiki”, disponível na Globoplay) logo se mostra surpreendentemente bem mais complexo do que uma história de encontros e desencontros protagonizados por uma jovem após a noite de formatura.
Após uma relação casual com seu melhor amigo, Gabe (Danny Ramirez), às vésperas da formatura, Natalie (Lili Reinhart, de “Riverdale”), vomitando muito, faz um teste de gravidez - o enjoo pode ser causado por um sushi de procedência duvidosa ou pelo sexo com Gabe. É neste momento que “Como Seria Se…” se separa em duas narrativas, cada uma delas de acordo com o resultado do teste.
O roteiro da estreante April Prosser é bom ao construir duas Natalie diferentes em cada arco, mas mantendo a essência da personagem. Em uma delas, a jovem se muda para Los Angeles com a melhor amiga, Cara (Aisha Dee), em busca do sonho de trabalhar com animação. Na Califórnia, ela conhece o bonitão Jake (David Corenswet) e coloca seus planos em movimento. No outro arco, porém, decidida a ter o bebê, ela se muda com Gabe para a casa dos pais para aguardar o nascimento da pequena Rosie, mas abandona seus sonhos antigos.
“Como Seria Se…” tem um texto inesperadamente sóbrio para o tipo de filme. Nos dois arcos, as coisas acontecem de forma natural na vida de Natalie, sem exageros ou muletas de roteiro para sustentar as histórias. O filme é esperto ao usar o fato de Natalie ser animadora/desenhista para introduzir algumas artes simbolizando passagens de tempo. A direção de arte de Christy Gray é ótima e confere ao filme um ar de cinema independente ao quebrar a narrativa padrão - as animações contam histórias e ambientam o espectador de detalhes, tirando a obrigação do didatismo do texto.
Filme
Filme "Como Seria Se...", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Em ambas as narrativas, “Como Seria Se…” é um filme confortável e leve. As situações vividas por Natalie, profissionais e pessoais, são todas de fácil identificação com o público, que consegue se relacionar com a protagonista em suas escolhas. O filme faz questão de ressaltar não haver um caminho certo ou mais fácil, com encontros, desencontros e obstáculos em ambos os arcos.
Um grande acerto do roteiro é saber usar fórmulas pré-estabelecidas e se aproveitar do conforto gerado por elas, mas sem optar sempre pelo caminho mais fácil. Seria cômodo e até esperado que o filme partisse para uma narrativa sobre a inevitabilidade do amor, que de um jeito ou de outro, almas gêmeas se encontrariam em algum momento, mas “Como Seria Se…” foge desse caminho.
Filme
Filme "Como Seria Se...", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Ao invés disso, o filme de Kahiu se sustenta em jornadas de amadurecimento, em escolhas, renúncias, nos tombos e na redenção da vida adulta; há as inevitáveis coincidências, mas elas funcionam quase como um easter egg do outro arco e o texto nunca opta por elas como a solução para algum conflito.
A estrutura de duas linhas narrativas distintas não é bem uma novidade, se assemelhando mais do que o necessário com “De Caso com o Acaso” (1998), com Gwyneth Paltrow, mas as histórias se repetem também fora da dramaturgia. A construção de personagens de “Como Seria Se…” funciona, principalmente Natalie e Gabe, mas Cara e Jake também cumprem seus papéis na trama. Os pais da protagonista, vividos por Luke Wilson e Andrea Savage, garantem um alívio cômico para um filme que consegue ser dramático sem recorrer ao melodrama, sempre leve e com os dois pés fincados em possibilidades totalmente reais.
Filme
Filme "Como Seria Se...", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Justamente por criar essa identificação e por lidar de formas diferentes com o amadurecimento pelo qual todos passam, o filme de Wanuri Kahiu funciona tão bem. “Como Seria Se…” se apoia na simplicidade e em respostas para uma pergunta que todos já se fizeram.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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