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Crítica

"Desperados" é uma desastrosa comédia romântica na Netflix

Sucesso na Netflix, "Desperados" usa fórmulas ultrapassadas e piadas que só agradam adolescentes do sexo masculino para construir sua narrativa

Publicado em 12 de Julho de 2020 às 06:00

Públicado em 

12 jul 2020 às 06:00
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

DESPERADOS, 2020Sarah Burns as Kaylie, Nasim Pedrad as Wesley and Anna Camp as Brooke in DESPERADOS. Credit: Cate Cameron/NETFLIX
Sarah Burns como Kaylie, Nasim Pedrad como Wesley e Anna Camp como Brooke em "Desperados" Crédito: Cate Cameron/NETFLIX
Talvez a melhor definição para “Desperados”, comédia romântica lançada pela Netflix, seja dizer que é um filme que Cameron Diaz protagonizaria há uns 15 anos. O filme da diretora LP (sim, ela assina só as iniciais de seu nome, Lauren Palmigiano) dialoga diretamente com obras como “Mulheres ao Ataque” (2014), “Tudo Para Ficar com Ele” (2002), “Professora Sem Classe” (2011) ou “Jogo de Amor em Las Vegas” (2008). Essa definição do filme deve ser o suficiente para atrair o espectador interessado na trama ou afastá-lo. 
“Desperados”, como alguns dos filmes citados acima, conta a história de um grupo de amigas encabeçado por Wesley (Nasim Pedrad). As coisas não andam bem pra ela - solteira e desempregada, ela aceita ir a um encontro às cegas arranjado pelo marido de uma das amigas. O encontro não é dos melhores, mas ele acaba conhecendo seu príncipe, Jared (Robbie Amell), na hora de ir embora. Logo eles engatam um relacionamento aparentemente perfeito.
Um belo dia, porém, Jared some, não retorna mensagens ou ligações de Wesley. Em uma noite de bebedeira com as amigas Brooke (Anna Camp) e Kaylie (Sarah Burns), elas resolvem manda um e-mail bem, digamos, malcriado. Acontece que o galã estava no México, sem comunicação, e não a dado um “ghosting” (o famoso “perdido”, agora na linguagem jovem) na moça. O problema, claro, é que o e-mail já havia sido enviado. O que fazer? A solução encontrada foi partir as três para o México para invadir os dispositivos eletrônicos de Jared e apagar o e-mail antes que ele leia. Sim, eu sei, não faz sentido.
Assim, as três partem para um resort de luxo no México (Wesley não estava sem grana?) e se metem em altas confusões para conseguir apagar o tal e-mail. Durante esse processo, repensam alguns comportamentos e relações, mas não sem protagonizarem várias piadas de gosto duvidoso que devem agradar a jovens de máximo 14 anos.
DESPERADOS, 2020Robbie Amell as Jared in Deperados.
Robbie Amell como Jared em "Desperados" Crédito: Cate Cameron/NETFLIX
“Desperados” tem problemas claros de condução que fazem com que o público não entenda ao certo as coisas que acontecem em tela - Wesley parece mais uma psicopata stalker do que uma mulher apaixonada. Mesmo que o filme tente usar isso como uma jornada de autoconhecimento, o resultado é desastroso e passa a mensagem da mulher incompleta sem um homem e um bom emprego. Ainda, o roteiro ignora qualquer tipo de lógica, com personagens muito pouco inteligentes e situações improváveis envolvendo senhas e baterias de dispositivos eletrônicos.
O filme tem um ou outro momento divertido, mas a maior parte das piadas envolve cair da janela de um quarto, uma confusão com um menino de 13 anos, atos sexuais de animais e o contato com o pênis deles. Além disso, o filme segue à risca a estrutura das comédias de Adam Sandler, com reviravoltas previsíveis desde o início; não é preciso ser um estudioso do gênero para entender tudo o que vai acontecer após 20 minutos de filme.
Apesar de ser protagonizado, dirigido e roteirizado por mulheres, e de até tentar uma mensagem de independência e libertação em alguns momentos, “Desperados” é um filme para adolescentes do sexo masculino. Todo seu roteiro é construído em cima de fantasias sexuais masculinas (inclusive as tais “libertações”) e o humor se sustenta com piadas sexuais adolescentes. Se você tem mais de 14 anos, talvez seja melhor escolher outro filme.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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