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Crítica

"Esta Noite, Você Dorme Comigo" é um dos piores filmes da Netflix

Lançado pela Netflix, drama polonês "Esta Noite, Você Dorme Comigo" traz a história de uma mulher casada que é arrebatada por um amor do passado

Publicado em 01 de Março de 2023 às 21:20

Públicado em 

01 mar 2023 às 21:20
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Esta Noite, Você Vai Dormir Comigo", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
A produção cinematográfica polonesa mais pop encontrou uma boa parceira na Netflix para levar suas obras mundo afora. A qualidade técnica é sempre acima da média e rende produtos bons, como as séries “Sexify” e “A Inundação do Milênio”, ou os filmes “Furioza” e “Rede de Ódio”, mas, em sua maioria, as produções polonesas abusam da pegada novelesca e de narrativas que buscam surpreender, mas acabam sempre nas saídas mais fáceis - exemplo da constrangedora franquia “365 Dias” (um sucesso) ou as comédias românticas “Amor²”. Recém-lançado, “Esta Noite, Você Dorme Comigo” se encaixa no segundo grupo.
Dirigido por Robert Wichrowski, diretor de pouca expressão fora da Polônia, mas com alguns filmes no currículo, a partir do livro homônimo de Anna Szczypczynska, “Esta Noite, Você Dorme Comigo” é a história de Nina (Roma Gasiorowska), uma jornalista respeitada, mãe de duas meninas e presa a um casamento em que não é valorizada. Maciek (Wojciech Zielinski), marido de Nina, é um sujeito controlador, egoísta, pouco atencioso e que faz o que tem vontade, sem nunca se importar muito com a esposa.
A vida de Nina dá uma chacoalhada quando Janek (Maciej Musial), um ex-namorado que foi tentar a vida na Holanda, volta à Polônia para trabalhar na equipe de Nina. A paixão volta imediatamente, sem nenhuma construção, tensão sexual ou algum jogo de conquista. De repente, Nina está com Janek enquanto Maciek parte para uma viagem de um mês fazendo trilhas na Islândia.
Tudo em “Esta Noite, Você Dorme Comigo” é construído assim, de imediato, sem nenhuma preocupação com desenvolvimento de personagens ou conflitos. O texto ensaia discussões sobre corpos e relacionamentos - Nina é alguns anos mais velha que Janek - sem nunca se aprofundar em nenhuma dessas questões. De maneira totalmente equivocada, o filme tenta convencer o espectador que a jornalista é uma mulher fora dos padrões ao ponto de, em sua única cena mais sensual, apresentar frases como “terá que se acostumar com meu novo corpo” e “o corpo não te define”.
Filme
Filme "Esta Noite, Você Vai Dormir Comigo", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Mesmo que deixássemos a aparência física de Roma Gasiorowska de lado, essas discussões não são construídas em nenhum momento dos poucos mais de 90 minutos do filme. Não há nada além de um diálogo de Janek com uma colega de trabalho que chama Nina de “velha”; o único real conflito de “Esta Noite, Você Dorme Comigo” é o fato de Nina ser casada, mas Maciek é construído pelo texto como um sujeito muito desagradável, tornando a decisão da protagonista não apenas previsível, mas totalmente compreensível.
“Esta Noite, Você Dorme Comigo” se mostra um filme realmente muito ruim quando percebemos como ele desenvolve suas viradas. Por exemplo, o diálogo completamente fora do tom entre Maciek e outro viajante na Islândia, e, principalmente, um telefone que liga sozinho para outra pessoa em um momento essencial do filme. As escolhas do texto também são muito ruins, como se os personagens fossem incapazes de tomar boas decisões; o problema ainda é potencializado pelo fato de a narrativa não dar tempo para essas decisões serem digeridas pelo espectador e até mesmo pelos personagens - em determinado momento, já foram tantas pequenas viradas que o filme torna até difícil para entendermos o que está acontecendo ou porque determinado personagem está agindo de certa forma.
Filme
Filme "Esta Noite, Você Vai Dormir Comigo", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Apesar de a Netflix tentar encaixar o filme como uma obra sensual, “Esta Noite, Você Dorme Comigo” não é nada sexy, só um filme muito mal feito sobre uma mulher de trinta e tantos (ou quarenta) anos que se envolve com um sujeito mais novo. Não há suspense e não há tensão, há apenas um filme que ignora todos os conflitos que poderia apresentar e nem sequer é capaz de entregar um melodrama novelesco. Um grande desperdício de tempo e um dos piores filmes do catálogo da Netflix.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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