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Crítica

"Fervo" celebra corpos LGBTQIA+ em comédia de fantasmas

De forma leve, divertida e sem preocupações em fazer sentido, "Fervo" discute invisibilidade LGBTQIA+ em comédia com Paulo Vieira e Rita Von Hunty

Publicado em 18 de Janeiro de 2023 às 17:21

Públicado em 

18 jan 2023 às 17:21
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Comédia brasileira
Comédia brasileira "Fervo" é história de fantasmas LGBTQIA+ Crédito: Cesar Alves/Divulgação
Em resumo, “Fervo” é uma comédia de fantasmas sem grandes preocupações em fazer sentido ou construir qualquer tensão. O filme de Felipe Joffily, escrito por Thiago Gadelha, vem de um cinema simples, preocupado em divertir com algum conteúdo e oferecendo conforto, mas sem nunca desafiar o espectador…. Bem, ao menos não um espectador livre de preconceitos.
Baseado no filme francês “Poltergay” (2006), de Eric Lavaine, “Fervo”, que chega aos cinemas nesta quinta (19), tem início com um casal de arquitetos, Leo (Felipe Abib) e Marina (Georgianna Goes), chegando a uma casa recém-comprada por ele. O local está fechado há 20 anos e precisa de muitos reparos, mas tem muito potencial de venda, defende Leo, para o desespero da esposa. Chegando lá, uma placa com o nome “Fervo” dá o tom de uma casa cheia de vidros e espelhos, para o desespero de Marina, que não corrobora com o otimismo do marido para o local.
Logo começam a acontecer algumas coisas estranhas por lá, como umas breves aparições, um apagão e a constante sensação Léo e Marina estarem sendo vigiados. Em menos de 20 minutos de filme, a premissa já está apresentada e estabelecida: um trio de fantasmas formado pela drag queen Mo Nanji Manhattan (Rita Von Hunty/Guilherme Terreri), Lara (Renata Gaspar) e Diego (Gabriel Godoy) quer expulsar o casal de arquitetos do lugar.
O texto cria situações divertidas envolvendo Léo e os fantasmas, mas é tudo muito rápido e imediato. Se algo misterioso acontece, na cena seguinte já é explicado exatamente o ocorrido. Todo o mistério da casa e o motivo de os fantasmas estarem lá é didaticamente explicado com a chegada do influencer paranormal (!?) vivido por Paulo Vieira, que se tornou o grande chamariz do filme com a popularidade alcançada nos últimos anos (“Fervo” foi filmado antes da pandemia). Logo fica claro que os fantasmas estão presos na casa (e neste plano) por ainda não terem cumprido suas missões de vida, ou seja, um argumento totalmente funcional e confortável.
Comédia brasileira
Comédia brasileira "Fervo" é história de fantasmas LGBTQIA+ Crédito: Cesar Alves/Divulgação
É nessas explicações que “Fervo” se torna menos interessante, pois todas as regras gradualmente estabelecidas pelo texto são aplicadas sem grande preocupação para deixar o filme em movimento. Nunca fica claro quem pode ver ou não os fantasmas (justificado no release como uma “sensibilidade sobrenatural”), ou o quão livremente eles podem interagir com o ambiente. Por exemplo: quando é conveniente para o filme, os fantasmas podem ser vistos em espelhos - e naquele momento, essa possibilidade é indispensável para a narrativa; pouco depois, porém, essa possibilidade é deixada de lado para efeitos dramáticos em uma cena bonita, mas que ignora as regras estabelecidas pelo texto.
O imediatismo do filme também incomoda se formos analisá-lo com profundidade. Eles descobrem o influencer, mandam mensagem e, no outro dia, ele já chegou na casa; da mesma forma, todos sabem exatamente o que fazer e para onde ir no momento em que precisam completar suas “missões” abandonadas 20 anos atrás. Em outro ponto, toda a história se resolve em uma busca genérica no Google feita por Marina, que imediatamente entende tudo o que está acontecendo.
Comédia brasileira
Comédia brasileira "Fervo" é história de fantasmas LGBTQIA+ Crédito: Cesar Alves/Divulgação
De qualquer forma, é importante ressaltar que “Fervo” não é (e nem pretende ser) um filme complexo sobre a existência humana ou um profundo suspense de fantasmas, ele apenas quer divertir seu público, o que consegue em vários momentos. O filme é leve, tem boas participações cômicas com Marcelo Adnet e Welder Rodrigues, e uma subaproveitada Joanna Fomm em um papel apenas didático e expositivo.
Mesmo sem ser panfletário, é interessante a maneira com que “Fervo” trata os corpos LGBTQIA+, como se permanecessem invisíveis nos últimos 20 anos, mas agora conseguissem ser enxergados, reconhecidos e, sobretudo, respeitados. O ser ou não ser gay, lésbica ou drag queen (no caso dos fantasmas) até tem seu peso dramático no arco de Mo Nangi, mas nunca é o grande conflito do filme, que acaba sendo uma celebração desses corpos.
Comédia brasileira
Comédia brasileira "Fervo" é história de fantasmas LGBTQIA+ Crédito: Cesar Alves/Divulgação
“Fervo”, ao fim, é uma comédia leve, que, apesar dos problemas, brinca com a nostalgia ao melhor estilo “Sessão da Tarde”, um filme que talvez não faça o público dos cinemas gargalhar, mas que o faça sair da sala com um sorriso no rosto. Mais do que isso, é um filme que, sem forçar a barra, se conecta com a importância da representatividade.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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