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Crítica

"Hormônios à Flor da Pele": Sexo é tudo em comédia da Netflix

Com humor bem questionável, filme "Hormônios à Flor da Pele" acompanha dois jovens que despertam um dia tendo diálogos com as próprias genitálias

Publicado em 26 de Maio de 2023 às 12:38

Públicado em 

26 mai 2023 às 12:38
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme alemão "Hormônios à Flor da Pele", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Lançado em 2002 no Brasil, a comédia alemã “Formiga nas Calças” contava a história de um adolescente que acorda um dia e descobre que seu pênis pode falar com ele. Na onda de filmes como “American Pie”, o filme do roteirista Granz Henman lidava com a adolescência e da descoberta da sexualidade com um olhar da época, ou seja, uma visão bem sexista e preconceituosa. O filme foi um sucesso e até teve uma continuação, que nunca chegou por aqui, mas envelheceu muito mal.
“Hormônios à Flor da Pele”, lançado pela Netflix, reimagina o filme de 2002, mas busca um olhar mais contemporâneo. Escrito e dirigido pelo mesmo Henman, o filme repete a fórmula que deu certo (ao menos na bilheteria) décadas atrás. Desde a infância, Charly (Tobias Schäfer) sofre bullying relacionado ao tamanho de seu pênis, o que fica claro na sequência de abertura. Nada popular na escola, Charly tem em Paula (Cosima Henman) sua melhor amiga – eles foram criados juntos e possuem um relacionamento quase de irmãos, pelo menos é o que dizem...
Um dia, após quase ser atingido por um raio na noite anterior, Charly acorda excitado e com um pênis falante que só pensa em uma coisa: sexo. A premissa, então, é a mesmíssima do filme original? Mais ou menos… Paula estava junto com Charly no momento do raio e, por isso, também acorda com uma vulva falante e obcecada em perder a virgindade.
“Hormônios à Flor da Pele” busca se atualizar, mas nem sempre acerta. Não há piadas com a orientação sexual dos personagens e até coloca homens gays entre os mais populares da escola. Da mesma forma, busca a naturalidade quando uma personagem se declara bissexual, nunca fazendo disso o conflito do roteiro. Essa desconstrução, no entanto, ainda não impede que todos os jovens se encaixem no antigo padrão de beleza com corpos impecáveis exalando sensualidade.
Filme
Filme alemão "Hormônios à Flor da Pele", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Não há espaço para sutilezas no filme de Henman, até porque as duas genitálias falantes representam os hormônios, o desejo e o impulso que a racionalidade esconde. Essa representação fica clara na sequência da festa, na qual, à medida que fica mais bêbado, Charly passa a falar exatamente as mesmas frases de seu pênis. Toda essa descoberta sexual serve como pano de fundo para que Charly e Paula se entendam também além da amizade.
É curioso como Henman busca a tal atualização de conteúdo, mas não se preocupa em atualizar também o estilo do filme. “Hormônios à Flor da Pele” recorre a diversos clichês das comédias americanas dos anos 1990 e 2000, com adolescentes mal desenvolvidos, encaixados em formas, e adultos unidimensionais utilizados basicamente para constranger os jovens.
Filme
Filme alemão "Hormônios à Flor da Pele", da Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Em sua essência, “Hormônios à Flor da Pele” é uma comédia romântica padrão, sem nenhuma ousadia narrativa. Quando busca uma dinâmica similar à da animação “Big Mouth”, com muita verborragia e absurdos sendo pensados/ditos pelas genitálias falantes, “Hormônios à Flor da Pele” tem momentos engraçados. O filme atinge mais um público que não se relaciona tanto com aqueles personagens e parece ter sido feito para as mesmas pessoas que curtiam “American Pie” no final do século passado. É fácil prever as viradas do texto no exato momento em que elas se desenham, restando pouco a se aproveitar do filme além de suas piadas nem sempre de bom gosto.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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