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Crítica

"Já Fui Famoso": filme da Netflix vai fazer você se sentir bem

"Já Fui Famoso" acompanha um ex-músico de sucesso e um jovem baterista no espectro autista em uma história de música, amizade e afeto

Publicado em 22 de Setembro de 2022 às 16:05

Públicado em 

22 set 2022 às 16:05
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Já Fui Famoso", da Netflix Crédito: Sanja Bucko/Netflix
“Já fui famoso”, lançado pela Netflix, é daquelas provas de que não é preciso muito para se fazer um bom filme. Baseado no curta homônimo escrito e dirigido também por Eddie Sternberg, o filme é simples, se sustentando nas boas atuações do elenco principal e principalmente na sensação de bem-estar que toma conta do espectador quando o filme chega ao fim.
“Já Fui Famoso” acompanha Vince (Ed Skrein), um ex-integrante de uma boy band britânica, a Stereo Dream, que viu sua carreira desandar após o fim do grupo enquanto seu ex-colega, Austin (Eoin Macken) se tornou um dos músicos mais populares do planeta. Vince agora busca oportunidades de tocar em bares e toca na rua para conseguir alguns trocados.
É em uma praça que ele conhece Stevie (Leo Long), um jovem baterista de 18 anos com aspirações musicais e uma mãe superprotetora, Amber (Eleanor Masuura). Stevie está no espectro autista e logo cria uma conexão forte com Vince, musical e afetiva, já que faz o músico veterano se lembrar de seu irmão.
O filme de Sternberg parece e é simples, mas isso não tira os méritos do diretor e roteirista. “Já Fui Famoso” é, acima de tudo, um “feel good movie”, ou seja, um daqueles filmes que fazem o espectador se sentir bem. O texto é eficiente em construir seu clímax e em dar força a ele até de forma surpreendente - há possibilidades distintas de finais para o filme, que trabalha possíveis soluções que não seriam desonestas com a trama.
Filme
Filme "Já Fui Famoso", da Netflix Crédito: Sanja Bucko/Netflix
É interessante como o filme introduz outros personagens no espectro autista através do grupo de terapia musical, um elemento que funciona não apenas para mostrar diversos aspectos do espectro, mas também para reforçar como Vince se conecta a eles, tornando a relação dele com Stevie mais natural. Da mesma forma, a busca do músico para se reconectar com seu passado, mesmo em um breve arco, constrói uma segunda chance não musical, mas de vida, de não repetir erros prévios.
“Já Fui Famoso” é ótimo ao fugir do melodrama e das armadilhas do gênero. Ed Skrein e Leo Long funcionam bem juntos, e a Amber de Eleanor Masuura nunca passa do tom. O fato de Long estar realmente no espectro dá uma pegada orgânica e espontânea ao filme; o jovem é ótimo tanto como ator quanto como baterista.
Filme
Filme "Já Fui Famoso", da Netflix Crédito: Sanja Bucko/Netflix
Apesar de eficiente, o roteiro esbarra em algumas soluções muito repentinas para conflitos e em alguns arcos que surgem de maneira desnecessária e logo são esquecidos, como o convite para Vince assumir o grupo de terapia - a relação do músico com o grupo já estava estabelecida, sem a necessidade de introduzir um novo arco. O curioso é que o convite até faria sentido mais adiante na trama, perto do fim ou até após o clímax.
Ao fim, porém, as falhas não importam tanto, pois “Já Fui Famoso” é adorável com uma história de amizade improvável, de segundas chances e de conexão, tudo embalado por músicas boas, um bom texto e, principalmente, pela sensação de afeto.
Filme
Filme "Já Fui Famoso", da Netflix Crédito: Sanja Bucko/Netflix

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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