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Crítica

"M3GAN" é ótimo ao misturar ficção científica e terror pop

Com roteiro de James Wan, "M3GAN" transforma referências que vão de Isaac Asimov a "Chucky" em um bom terror cheio de potencial para viralizar

Publicado em 18 de Janeiro de 2023 às 22:35

Públicado em 

18 jan 2023 às 22:35
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "M3GAN" traz inteligência artificial assassina no corpo de uma boneca Crédito: Universal Studios/Divulgação
“Com a M3gan ao seu lado, ela vai tomar conta das coisas pequenas enquanto você gasta seu tempo com o que importa”, diz Gemma (Allison Williams) como um slogan para sua criação. M3gan, no caso, significa “Model 3 Generative Android”, e se apresenta como uma boneca acompanhante capaz de se adaptar, observar padrões e até agir por conta própria quando assim julgar necessário, ou seja, uma inteligência artificial capaz de mudar o mundo.
“M3GAN”, dirigido por Gerar Johnstone a partir de texto de James Wan e Akela Cooper, não apresenta novidades, mas entrega justamente o que o público espera a partir das prévias que circularam bastante nas redes. O filme lida com o medo do avanço tecnológico desenfreado e com os limites que devem ser impostos aos dispositivos - a boneca, por exemplo, ouve tudo enquanto está desligada e assimila os comportamentos das pessoas a seu redor. Quer medo mais atual?
O filme tem início em um carro em uma estrada cheia de neve. Os pais de Cady (Violet McGraw) discutem na parte da frente enquanto a menina de nove anos brinca no banco de trás com um boneco de inteligência artificial com certa autonomia. Após um violento acidente, somos levados a Gemma e sua equipe trabalhando às escondidas em um projeto de inteligência artificial avançado; os chefes querem um concorrente para o boneco com o qual Cady brincava, mas Gemma quer ir além, quer revolucionar a indústria e, quicá, o mundo.
Descobrimos na sequência que Gemma é irmã da mãe de Cady, que não sobreviveu ao acidente, e com quem ela desejava que filha ficasse no caso de sua morte. Assim, às voltas com os projetos e sem a menor aptidão para ser mãe, Gemma passa a cuidar da criança a seu modo. Ela acaba recuperando um projeto antigo, M3gan (Amie Donald), e a transforma em uma companhia para a sobrinha, mas a que custo?
Desde o primeiro momento, o filme já discute os limites da inteligência artificial como em um conto de Isaac Asimov (“Eu, Robô”) ou um episódio de “Black Mirror”. Não demora para M3gan distorcer e até ignorar suas diretrizes para agir como entende ser correto, binariamente. Ao mesmo tempo, o filme discute a dependência tecnológica e o uso dos dispositivos como muletas de afeto, pois a robô é amiga, professora, cuidadora e principalmente, uma companhia para Cady enquanto a tia se afunda em trabalho.
Filme
Filme "M3GAN" traz inteligência artificial assassina no corpo de uma boneca Crédito: Universal Studios/Divulgação
Enquanto M3gan é vista como algo revolucionário, um “brinquedo” de US$ 10 mil, ela também apresenta um comportamento preocupante. Algumas mortes misteriosas começam a cercar a família de Gemma às vésperas do lançamento oficial da boneca-robô, que também já demonstra muito mais autonomia do que deveria, inclusive fazendo download de informações por conta própria para se adequar ao comportamento das pessoas a seu redor. Óbvio que a ânsia capitalista pela nova revolução do mercado prefere ignorar todos os sinais e manter o lançamento apesar das ressalvas de Gemma.
Uma ficção científica de terror, “M3gan” muito lembra também “O Anjo Malvado” (1993), de Joseph Ruben. A influência do filme estrelado pelo então astro Macaulay Culkin e Elijah Wood garante ao filme de Johnstone uma carga de drama familiar. Esse arco, no entanto, acaba sendo superficial e nunca vemos sobrinha e tia criando vínculos - talvez seja justamente essa a intenção do texto, mas a impressão é que Gemma se preocupa menos do que deveria com o afeto de Cady a M3gan.
Filme
Filme "M3GAN" traz inteligência artificial assassina no corpo de uma boneca Crédito: Universal Studios/Divulgação
É bem verdade, vale dizer, que “M3GAN”, o filme, existe como veículo pop para uma boneca/inteligência artificial assassina. O roteiro tem plena ciência do poder pop que tem em mãos e cria sequências visivelmente existentes para serem transformadas em memes e vídeos curtos na internet. É curioso como o filme foi pensado e filmado para classificação etária de 17 anos, mas acabou passando por refilmagens e adaptações para baixar essa classificação para 13 após a popularidade do trailer entre adolescentes no Tik Tok. Até surpreende o nível de violência que conseguiram com essa classificação, mas o filme se tornou bem menos “gore” e com menos mortes do que o imaginado originalmente.
Cheio de referências aos filmes protagonizados por Chucky (“Brinquedo Assassino” e tudo que veio depois até chegar à excelente série disponível no Star+), “M3GAN” mostra ter aprendido direitinho com seu antecessor boneco psicopata no quesito cultura pop. Sem o visual icônico e facilmente reproduzível do colega, a robô aposta em danças e em seu potencial de viralização para se estabelecer de vez na indústria. Como o filme custou US$ 12 milhões e em menos de uma semana rendeu praticamente dez vezes esse valor, a inevitável continuação já ensaiada pelo fim do filme, devidamente intitulada “M3GAN 2.0”, já tem até data de estreia (17 de janeiro de 2025).
Filme
Filme "M3GAN" traz inteligência artificial assassina no corpo de uma boneca Crédito: Universal Studios/Divulgação

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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