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Crítica

"Nimona": Inteligente e divertida, animação da Netflix é imperdível

Adaptação da graphic novel homônima, "Nimona" diverte e emociona com uma história cheia de aventura, significados e quebras de paradigmas

Publicado em 03 de Julho de 2023 às 17:57

Públicado em 

03 jul 2023 às 17:57
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

"Nimona", animação lançada pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Quando ND Stevenson inicialmente publicou “Nimona” em seu perfil no Tumblr, em 2012, ele não tinha uma ideia exata do que seria a personagem, mas tinha plena noção do que queria como o fim da jornada dela. As páginas foram publicadas on-line até 2014 e viraram uma graphic novel no ano seguinte, rendendo prêmios e até um Eisner (prêmio máximo dos quadrinhos) para o autor.
Nimona é uma metamorfa, podendo se transformar em qualquer pessoa ou criatura em um piscar de olhos, e, por isso, é vista como um monstro pela Instituição que comanda o reino. Não é difícil associar o discurso da HQ, e agora do filme lançado pela Netflix, às questões de gênero com as quais Stevenson, um ativista queer, lida há tanto tempo. "O que é você", pergunta Ballister repetidamente a Nimona, que sempre profere a mesma resposta "Eu sou Nimona".
Dirigido por Nick Bruno e Troy Quane, “Nimona” (dupla do bom “Um Espião Animal”), o filme, leva para as telas a obra de Stevenson, toda sua diversão e toda sua complexidade. Tudo tem início quando conhecemos Ballister (Riz Ahmed), um cavaleiro prestes a se tornar o primeiro protetor do reino que não tem origem na nobreza. No dia de sua consagração, no entanto, ele é vítima de uma armação criminosa que o transforma no bandido mais procurado do reino. É neste momento que Nimona (Chloë Grace Moretz) surge em sua vida.
Nimona acredita que Ballister é um perigoso vilão e, por isso, quer ser sua ajudante, uma chance de se vingar de quem a considera uma ameaça; se é uma ameaça que eles esperam, é uma ameaça que ela vai ser. Logo, porém, ela descobre que Ballister é inocente e tudo muda de cenário: agora ela está disposta a ajudar o amigo a provar sua inocência.
"Nimona", animação lançada pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
“Nimona” prende a atenção desde os primeiros minutos. Toda a criação de universo é incrível, com um mundo de características medievais, reinos e tradições, mas cheio de tecnologia futurística, smartphones, veículos voadores… O filme também tem ótimos diálogos, rápidos, cheio de boas sacadas em um roteiro estruturado o suficiente para oferecer conforto, mas inteligente a ponto de criar conexões de forma orgânica e dialogar com o público
Mesmo tendo a questão da fluidez de corpo no centro do filme, ele nunca é panfletário, pelo contrário, é uma animação daquelas de fazer adultos e crianças rirem sem grande esforço. Ainda assim, o texto tem foco claro na quebra de dogmas e paradigmas, de destruir o status quo. A tal Instituição que comanda o reino é corrupta, conservadora e condena qualquer um que não se encaixe em seu padrão de normalidade; "Quando todos te vêm como vilão, é a única coisa que você será, não importa o quanto tente", pontua a protagonista. O próprio nome dos poderosos, a “Instituição”, já deixa claro não ser uma ou outra, mas todas as instituições reunidas em um conceito único a ser combatido.
"Nimona", animação lançada pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
O fato de carregar tantos significados talvez faça “Nimona” parecer uma obra mais “séria”. A animação, no entanto, colorida, cheia de vida e divertidíssima. O filme tem ótimas e criativas sequências que fazem total proveito dos poderes da protagonista, seja em grandiosas cenas de ação ou em algumas “menores”, como a do “bebê demônio” (que me coloca um sorriso no rosto apenas pela lembrança). A trilha sonora, cheia de punk, metal e rock’n’roll, dá um certo anacronismo que funciona bem para a ideia criada por Stevenson.
Algumas das escolhas da animação da Netflix são bem inteligentes, oferecendo a “Nimona” a possibilidade de uma continuação que não existe na HQ. O filme de Nick Bruno e Troy Quane se distancia um pouco dos quadrinhos de Stevenson, mas mantém o espírito do material original intacto. Stevenson, vale ressaltar,  acompanhou a produção de perto e assina como um dos produtores.
"Nimona", animação lançada pela Netflix Crédito: Netflix/Divulgação
Abandonado pela Disney quando já estava perto de sua conclusão, “Nimona” é a prova de falta de ousadia no reino do Mickey e seus projetos sempre “seguros”. O filme é divertido, com dois ótimos protagonistas, um excelente design de produção e um roteiro cheio de conteúdo sério transformado em tiradas pop. Um filme imperdível e, silenciosamente, um dos grandes lançamentos da Netflix em 2023.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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