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Crítica

"O Lado Bom de Ser Traída" é bom suspense erótico na Netflix

Giovanna Lancelloti brilha ao lado de Leandro Lima em "O Lado Bom de Ser Traída", filme da Netflix cheio de sensualidade que adapta livro homônimo de Sue Hecker

Publicado em 23 de Outubro de 2023 às 17:05

Públicado em 

23 out 2023 às 17:05
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Com Giovanna Lancelloti e Leandro Lima, "O Lado Bom de Ser Traída" é um suspense erótico que adapta o livro de Sue Hecker Crédito: Juliana Cerdeira/Netflix
Desde o sucesso do lançamento do constrangedor “365 Dias”, a Netflix encontrou nas produções eróticas um filão a ser explorado. Não são obras de produção cara e sempre acabam entre as mais vistas – no momento em que este texto é escrito, o filme polonês “Desejo Proibido” é o mais assistido da plataforma. Assim, séries como “Desejo Obsessivo”“Desejo Sombrio”, “Sex/Life”, além de filmes como as continuações do citado na abertura do texto, surgem com certa frequência, e sempre entre os mais vistos.
A primeira experiência de um suspense erótico nacional na plataforma não deu muito certo.  Com uma direção ruim, a série “Olhar Indiscreto”, com Débora Nascimento e Emanuelle Araújo, abusa das coincidências e das viradas absurdas, no melhor estilo dos novelões mexicanos, mas pouco oferece além de uma ou outra cena mais picante.
“O Lado Bom de Ser Traída”, que chega à Netflix dia 25 de outubro, parece ter aprendido com os erros de “Olhar Indiscreto”. Adaptação do livro de Sue Hecker (pseudônimo para Débora Gastaldo), um daqueles fenômenos que saem da internet e se tornam sucesso literário, o filme encontra no diretor Diego Freitas alguém que consegue mantê-lo sob controle. Responsável pelo sucesso “Depois do Universo”, Freitas parece ter ciência do material que tem em mãos e da necessidade de não transformá-lo em uma “bagaceira”.
O filme conta a história de Babi (Giovanna Lancelloti), uma mulher bem-sucedida e prestes a se casar com Caio (Micael). Em sua despedida de solteira, porém, ela recebe um presente: fotos do noivo com outra mulher. Babi dá fim ao noivado e decide se reinventar, quer dizer, mais ou menos. Ela muda o corte de cabelo e volta a dar atenção à sua amada moto, mas não demora para que seu caminho se cruze ao do bonitão juiz Marco (Leandro Lima), com quem ela até já havia sonhado antes de conhecer. O problema é que Marco tem um passado meio misterioso e não gosta de falar muito sobre o assunto…
Filme
Com Giovanna Lancelloti e Leandro Lima, "O Lado Bom de Ser Traída" é um suspense erótico que adapta o livro de Sue Hecker Crédito: Juliana Cerdeira/Netflix
“O Lado Bom de Ser Traída” é um suspense erótico desde suas primeiras cenas, com o tal sonho de Babi. Enquanto o casal de protagonistas de conhece melhor, uma trama maior se desenvolve envolvendo um possível esquema de corrupção e envolvimento com o crime partindo do escritório de advocacia de Caio. O texto de Sue Hecker busca a simplicidade, sem muito espaço para sutilezas em suas viradas e desde o início já indicando os caminhos a serem seguidos – o espectador mais atento já desvenda alguns mistérios logo de cara. Apesar disso, há um clima de perigo rondando os protagonistas com frequência.
É Giovanna Lancelloti quem dita as regras em “O Lado Bom de Ser Traída”. Como acontece em boa parte dessa nova literatura erótica escrita por mulheres, é da protagonista que surge o desejo, a iniciativa, é ela quem comanda a ação durante a conquista e o sexo, e o filme entende isso. Diego Freitas filma Lancelloti sempre com uma certa devoção, com tudo girando em torno dela e com pouquíssimas cenas em que a atriz não está em tela.
Filme
Com Giovanna Lancelloti e Leandro Lima, "O Lado Bom de Ser Traída" é um suspense erótico que adapta o livro de Sue Hecker Crédito: Juliana Cerdeira/Netflix
As cenas de sexo, bem mais explícitas do que o esperado, principalmente se compararmos a “Olhar Indiscreto”, parecem vídeo clipes, sempre estilizadas, em belos cenários, com câmeras circulando os atores, não muito diferente daquelas vistas nos filmes “365 Dias”. Há a escolha pela sensualidade artificial, com movimentos perfeitamente coreografados, mas há também uma atenção a alguns detalhes na construção do erotismo, como os pelos arrepiados convencendo o espectador que eles estão, de fato, excitados naquele momento.
Como já tinha feito em “Depois do Universo”, Diego Freitas utiliza as músicas como parte do filme e às vezes exagera, dando a sensação de assistirmos a um grande vídeo clipe sensual intercalado por alguns diálogos às vezes constrangedores. Ainda, o filme sofre com algumas características de seu material original, como os diálogos ruins e uma construção de conflito nem sempre funcional. O principal deles, que atravanca a relação de Babi e Marco, poderia ser resolvido com uma breve conversa entre os personagens, mas o texto o alimenta como algo grandioso quando, na verdade, não o é.
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Com Giovanna Lancelloti e Leandro Lima, "O Lado Bom de Ser Traída" é um suspense erótico que adapta o livro de Sue Hecker Crédito: Juliana Cerdeira/Netflix
Outro problema é o didatismo e a exposição no terceiro ato, quando o espectador já entendeu quem é quem na trama. Mesmo que o filme não preze pela subjetividade, o excesso de exposição incomoda; Paty (Camila de Luca), o alívio cômico do texto, serve para que Babi possa reforçar, em conversas, tudo o que a personagem sente e tudo o que acabamos de ver em tela. Da mesma forma, perto do fim, o antagonista explica todo seu plano, nos mínimos detalhes, para um parceiro, ou seja, para alguém que já deveria conhecer esse plano.
Como thriller, o filme é convencional, optando por caminhos seguros que o encaixam em um gênero sem grande ousadia, como se toda ousadia da produção tivesse ficado guardada para as cenas de sexo. “O Lado Bom de Ser Traída” é um bom suspense erótico, com cenas de sexo bem filmadas, cuidadosamente corografadas, mas que entregam o que promete, ou seja, se você busca a linda Giovanna Lancelloti e o lindo Leandro Lima em cenas bem quentes, é isso que você terá.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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