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Crítica

"O Lobo Viking", da Netflix, tem terror e mitologia, mas fica no quase

Sucesso na Netflix, "O Lobo Viking" tem bons momentos e ensaia algo diferente, mas acaba se parecendo demais com outros filmes do gênero

Publicado em 05 de Fevereiro de 2023 às 01:36

Públicado em 

05 fev 2023 às 01:36
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme norueguês
Filme norueguês "O Lobo Viking", da Netflix, mistura mitologia nórdica à trama policial com doses de terror Crédito: Netflix/Divulgação
Lançado pela Netflix, o filme norueguês “O Lobo Viking” tem um grande mérito: se levar a sério com esse título. Escrito e dirigido por Stig Svendsen, o filme pega algumas referências da mitologia nórdica e as insere no mundo contemporâneo - funciona, até certo ponto, mas nunca tira da obra um aspecto de cinema de terceiro escalão.
“O Lobo Viking” tem início com uma breve história ocorrida no ano de 1050, quando uma expedição nórdica partiu para invadir a Normandia. Chegando em um monastério, os “vikings” abrem uma porta que os monges imploraram para que não abrissem. Lá dentro, um raivoso filhote de lobo os esperava e acabou sendo levado para a Noruega como espólio. O barco voltou para casa, o lobo também, mas nenhum outro tripulante estava vivo. Diz a lenda que, a partir daí, o lobo adentrou as florestas do país e se tornou parte delas.
Quase mil anos depois, conhecemos Thale (Elli Rhiannon Müller Osborne), uma jovem de 17 anos recém-mudada para uma pequena cidade ao lado da mãe, da irmã e do padrasto. Em uma tentativa de se enturmar, Thale vai a um encontro de jovens no qual não é muito bem recebida, mas presencia um misterioso ataque a um casal de jovens; a menina é levada pela criatura e a protagonista acaba ferida na tentativa de proteger os colegas.
Em um primeiro momento, o filme é inteligente ao dar à trama um ar de mitologia nórdica, cultura que há anos se mantém no interesse popular com séries, filmes, livros e jogos. Há, por exemplo, citação a Fenrir, o monstruoso filho lobo de Loki, mas o texto nunca é didático quanto a isso - toda a explicação que ele precisava dar era aquela no início do filme. É curioso como as produções norueguesas têm misturado dramas contemporâneos às antigas crenças da região ao mundo contemporâneo em obras pop como a série “Ragnarok” ou o recente filme “O Troll da Montanha”.
Filme norueguês
Filme norueguês "O Lobo Viking", da Netflix, mistura mitologia nórdica à trama policial com doses de terror Crédito: Netflix/Divulgação
“O Lobo Viking”, como dito no parágrafo que abre este texto, se leva a sério ao ponto de ser quase risível quando um “caçador de lobisomens” chega à cidade após tomar ciência do ataque. É ao caçador que é dada pelo roteiro a função de esclarecer tudo para os outros personagens; ele não tem nenhuma função de fato no roteiro além de plantar a ideia de que a polícia está lidando com um lobisomem. É como se o filme não percebesse o quão absurdo é tudo aquilo e fizesse muito esforço para manter toda a trama com os dois pés na realidade.
O filme de Stig Svendsen se beneficia da ambientação em uma cidade muito pequena, o que permite ao texto usar poucos personagens e também dá um ar bucólico à obra, remetendo aos romances policiais nórdicos do início deste século e, posteriormente, às tantas séries do gênero lançadas. Outro bom aspecto é que “O Lobo Viking” guarda seu monstro com certa cautela durante metade da projeção - isso provavelmente se dá pela notável falta de orçamento para efeitos de computação, mas ajuda no mistério e no peso de sua primeira aparição. A falta de recursos também resulta em alguns efeitos práticos interessantes, principalmente quando o filme parte para um terror menos fantasioso e mais gore, gênero em que se encaixaria com mais sucesso se o roteiro fizesse escolhas diferentes.
Filme norueguês
Filme norueguês "O Lobo Viking", da Netflix, mistura mitologia nórdica à trama policial com doses de terror Crédito: Netflix/Divulgação
É nessas escolhas, porém, que o filme se perde com algumas viradas óbvias, mas que pelo menos não podem ser acusadas de não terem construção (a policromia, a linguagem de sinais…), e em soluções de pouco peso para alguns dos conflitos. “O Lobo Viking” também sofre com a falta de originalidade em tudo o que faz, já que todas as ideias parecem extraídas com outros filmes do gênero, menos como homenagem e referência e mais como cópia.
“O Lobo Viking” é um filme linear e direto, sem enrolação alguma, mas com uma trama que tinha potencial ao misturar a mitologia nórdica com uma investigação policial e até com uma certa dose de drama familiar (muito mal explorado). O sucesso norueguês da Netflix, no entanto, se perde na falta de originalidade e no desejo de ser pop demais, optando por caminhos mais cômodos para o texto e soluções que nunca desfiam o espectador.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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