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Crítica

"Uma Quedinha de Natal": filme natalino da Netflix é constrangedor

Estrelado por Lindsay Lohan, "Uma Quedinha de Natal" abre a temporada de Natal na Netflix com um filme infantil e um roteiro que irrita até os amantes de filmes natalinos

Publicado em 11 de Novembro de 2022 às 14:51

Públicado em 

11 nov 2022 às 14:51
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

rbraz@redegazeta.com.br

Filme
Filme "Uma Quedinha de Natal", da Netflix Crédito: Scott Everett White/Netflix
Sim, eles chegaram. Para a alegria de muitos e o desespero de tantos, os filmes de Natal estão de volta e o público sabe exatamente o que esperar deles. Não digo que são todos ruins; há bons filmes recentes como o brasileiro “Tudo Bem no Natal que Vem”, com Leandro Hassum, “Missão Presente de Natal”, “Um Match Surpresa” e outros no catálogo da Netflix, mas também há obras como “Uma Quedinha de Natal”, aposta da plataforma para esta temporada.
O grande atrativo do novo filme da Netflix tem nome e sobrenome: Lindsay Lohan. A atriz, que teve seu auge de popularidade na pré-adolescência, no hoje clássico “Operação Cupido” (1998), e, jovem, com filmes como “Garotas Malvadas” (2004) e “Sexta-feira Muito Louca” (2003), não faz nada relevante há muito tempo, tendo ficado mais ocupada com festas, drogas, problemas familiares, brigas, furtos, uma gravidez inventada, apoio a Aécio Neves em 2014 (é verdade!)… Acho que deu para entender o que ela andou fazendo.
“Uma Quedinha de Natal” passa longe de ser o retorno ideal para Lohan, mas ao menos é um que será muito assistido. Dirigido pela estreante Janeen Damian, uma veterana produtora que agora se arrisca na direção, o filme acompanha Sierra Belmont (Lohan), a mimada filha de um bilionário dono de um verdadeiro império. Beauregard (Jack Wagner), o pai da moça, quer que ela assuma um lugar na empresa, mas ela quer apenas curtir a vida, os mimos e a fama ao lado de seu namorado, o popular Tad (George Fairchild), um egoísta influenciador obviamente mais preocupado com a própria popularidade nas redes do que com qualquer outra coisa.
Durante um passeio, Sierra sofre um acidente de ski e cai desacordada. Por sorte, o bom moço bonitão local, o viúvo Jake (Chord Overstreet), a resgata e a leva ao hospital. Sierra acorda, passa bem, mas não se lembra de nada antes do acidente. Jake logo se oferece para hospedá-la em sua tradicional pousada, um lugar que com poucos hóspedes recentes, está às vésperas da falência. Não é necessário dizer que Sierra e Jake se apaixonarão imediatamente um pelo outro e que ela, uma mulher egoísta, se sentirá acolhida pelo afeto familiar da pousada e de sua “nova família”, descobrindo, assim, o espírito natalino.
Filme
Filme "Uma Quedinha de Natal", da Netflix Crédito: Scott Everett White/Netflix
Apesar de personagens adultos, “Uma Quedinha de Natal” é basicamente um filme infantil e com roteiro que parece também ter sido escrito por uma criança. Grande parte das piadas do filme são de humor físico, com Sierra escorregando, sofrendo para arrumar uma cama ou fazer uma panqueca - tudo isso aparentemente irresistível para Jake.
Na figura de Avy (Olivia Perez), filha de Jake, o filme de fato abraça essa pegada infantil. “Precisamos de um milagre (para salvar a pousada), filha”, diz Jake, para Avy completar: “Não sabia? Natal é a temporada dos milagres”. Sem sutileza alguma, o texto ainda introduz um Papai Noel disfarçado e realizando mágica na cidade. Como dito, é um filme infantil, com uma adulta infantilizada e piadas infantis - como a recorrente sugestão de Tad ser gay.
Filme
Filme "Uma Quedinha de Natal", da Netflix Crédito: Scott Everett White/Netflix
Além dos clichês mal utilizados, “Uma Quedinha de Natal” subestima o público - Jake não se lembra de Sierra, mas eles haviam acabado de literalmente trombar no hotel do pai dela, no mesmo dia, em uma cena a que o roteiro dá bastante atenção. A moça estava de chapéu e óculos, mas, ainda assim, seria facilmente reconhecível - por algum tempo o filme até passa a impressão de ele a reconhecer, mas preferir não revelar a verdade por preferir essa “versão” de Sierra, mas o texto não teria tal sutileza. Ainda, o filme faz questão de mostrar Sierra como uma celebridade muito conhecida, namorada de outra celebridade também muito conhecida, mas ninguém, absolutamente ninguém, parece já tê-la visto em algum lugar.
“Uma Quedinha de Natal” não é apenas ruim, é muito ruim. Sem o carisma que tinha quando adolescente, Lindsay Lohan é uma atriz careteira presa a um texto muito ruim que se limita a preencher uma cartela de expectativas do público diante da fórmula “filme de Natal”. O filme é o primeiro de quatro natalinos que a Netflix lançará em novembro, resta esperar que os próximos sejam melhores.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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