Transformar obstáculos em oportunidades: a história de um empreendedor
Inovação
Transformar obstáculos em oportunidades: a história de um empreendedor
Volney vendeu a loja em 2012 para focar na indústria. Começou a construir uma fábrica em 2014. Passou a esmagar soja e fazer farelo e óleo em 2015, o que alavancou seu negócio
Publicado em 19 de Fevereiro de 2025 às 03:00
Públicado em
19 fev 2025 às 03:00
Colunista
Rafael Furlanetti
falecomfurla28@gmail.com
O agronegócio é o setor mais forte do Brasil no comércio mundial, responsável por quase metade das exportações, cerca de US$ 150 bilhões no ano passado. É também o setor mais dinâmico da economia nacional, o que mais inova. É uma história de sucesso feita a partir do enorme potencial do país, de muita pesquisa e do espírito empreendedor de muita gente. O agro está cheio de trajetórias que inspiram pela visão, coragem e persistência de seus protagonistas. Vou contar uma delas.
Volney Aquino Santos formou-se veterinário em Goiás e mudou-se para Gurupi, no Tocantins, em 2000, onde abriu uma loja de produtos agropecuários chamada Fazendão. Na época, o estado existia havia 12 anos, a produção de soja era pequena e só havia dois players no setor.
A loja não existe mais. O que existe hoje é a Fazendão Agronegócio, uma das maiores empresas da sua área de atuação na região Centro-Oeste. Atualmente, esmaga 1 milhão toneladas de soja por ano. Com investimentos recentes de R$ 500 milhões, o grupo projeta alcançar R$ 4 bilhões em faturamento em 2025.
Volney começou tudo isso em 2007, depois que estudou o programa do biodiesel do governo. Achou que haveria uma boa oportunidade, mas percebeu que não teria capital para isso. Mudou de plano: decidiu montar uma esmagadora de soja para produzir óleo vegetal. Para isso, precisava comprar uma prensa e uma máquina extrusora, processo para produzir farelo e óleo de soja. Sua ideia era vender o farelo em sua loja e óleo vegetal.
Pegou R$ 100 mil emprestados e foi para São Paulo comprar as máquinas. Ao informar-se melhor com quem entendia do assunto, descobriu que precisaria de um valor 50 vezes maior para montar uma esmagadora de soja. Voltou para casa triste, mas não desistiu; persistiu. Adquiriu uma extrusora usada e fez um leasing para comprar uma prensa. Começou a extrusão da soja e a vender o farelo para uma indústria de frango.
O negócio de Volney evoluiu aos poucos. À medida que a produção de soja no Tocantins começou a crescer, a sua cresceu junto. Em 2010, ele passou a negociar soja in natura. Precisou de novos empréstimos bancários. Em 2011, contratou um amigo para ajudar a captar recursos. Reclamou que devia muito e ouviu dele que um dia deveria dez vezes mais, porque seu negócio cresceria – e isso era positivo.
Volney vendeu a loja em 2012 para focar na indústria. Começou a construir uma fábrica em 2014. Passou a esmagar soja e fazer farelo e óleo em 2015, o que alavancou seu negócio. Uma das vertentes mais fortes do agronegócio é a exportação de commodities, em especial a soja. O negócio de Volney vai além: trabalha a soja e a transforma – ou seja, agrega valor.
SojaCrédito: Reprodução/Site CNA
No ano passado, foi inaugurada uma nova planta da Fazendão, que esmaga 1.500 toneladas de soja por dia. Nesta trajetória, Volney deixou de fazer tudo sozinho, contratou consultorias para melhorar seu negócio e, hoje, é mais gestor do que aquele que "faz tudo" na empresa.
Como todos os empreendedores brasileiros, Volney enfrentou cenários macroeconômicos dos mais diversos tipos nesses quase 20 anos de trabalho. Mudou de direção, do comércio para a agroindústria, porque enxergou uma oportunidade. Essa é uma característica essencial do empreendedorismo: ter coragem de mudar seu negócio, e até de atividade dentro do próprio ramo, ao perceber um nicho que pode ser interessante no contexto da economia.
Volney conseguiu superar os desafios e crescer graças à sua visão e à determinação, características que empreendedores precisam ter para transformar obstáculos em oportunidades de negócio.
Rafael Furlanetti
Capixaba de Sao Gabriel da Palha, e socio e diretor de Relacoes Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associacao Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Titulos e Valores Mobiliarios, Cambio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaco sobre empreendedorismo, inovacao e negocios ao publico do Espirito Santo