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Campanha

#NãoÉNão: união de mulheres por uma sociedade sem assédio e sem violência

A mensagem que a campanha busca passar é que as mulheres querem se divertir sem ter que se preocupar em serem assediadas, sem terem seus corpos violados; querem ocupar os espaços públicos e se divertirem sem medo

Publicado em 15 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

15 jan 2020 às 04:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo

rbravosantos@gmail.com

Campanha Não é Não Crédito: Divulgação
Nos últimos tempos, temos ouvido falar bastante em financiamento coletivo e vaquinha on-line. São termos que aparecem pra gente quando algum projeto precisa de maior atenção. Representam uma forma de arrecadação que tem se tornado cada vez mais comum e mais usada por diversas pessoas em diversos setores para que projetos sejam viabilizados com uma pequena ajuda individual de um monte de gente.
Fiquei sabendo de mais um projeto que está em campanha de arrecadação coletiva: Não é Não. Trata-se da confecção e distribuição gratuita de tatuagens temporárias durante o carnaval em várias cidades do Brasil, com o objetivo de discutir e enfrentar os casos de assédio, na tentativa de tornar as festas mais seguras para todas as pessoas. A campanha vem com a mensagem principal de que #NãoÉNão, ou seja, se uma mulher diz “não” para a outra pessoa, qualquer ato de avanço sobre sua liberdade e seu corpo é assédio.
A mensagem que a campanha busca passar é que as mulheres querem se divertir sem ter que se preocupar em serem assediadas, sem terem seus corpos violados; querem ocupar os espaços públicos e se divertirem sem medo. E para que essa mensagem seja disseminada por todo o Brasil pela maior quantidade de pessoas possível, o financiamento coletivo é a via que mulheres incríveis encontraram para que o projeto saia do papel.
Quando soube da campanha, pensei logo em divulgar pra familiares e amigos, mas também me senti na obrigação de falar aqui pra você que lê essa coluna semanalmente. Se quiser e, por óbvio, puder, faça sua contribuição e divulgue para a maior quantidade de pessoas possível. A ação de cada um reverbera de maneira gigantesca na sociedade.
Me lembrei do estudo que a autora estadunidense Catharine MacKinnon tem referente aos movimentos de mulheres (com o #MeToo, por exemplo) e as consequências que esses movimentos geram pra quem manifesta e pra sociedade em geral. MacKinnon usa a ideia do efeito borboleta para defender que pequenas ações - como o leve bater de asas das borboletas - em um contexto coletivo podem gerar mudanças de sistema, iniciar discussões, levantar o debate com o objetivo de alcançar transformações em busca de igualdade, incluindo igualdade entre os sexos.
São as pequenas ações das borboletas espalhadas por todo o Brasil que já são e serão cada vez mais capazes de gerar mudanças. Já há quem se sinta incomodado com a união de mulheres por uma sociedade sem assédio e sem violência. Um deputado do PSL, na segunda-feira, chegou a pedir publicamente para não usarmos essas tatuagens e que ser assediado “massageia o ego”. Sinto lhe informar, deputado, mas nossas vozes e nossos corpos estarão estampados crescentemente contra a misoginia, o estupro e o assédio.

Renata Bravo

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