Acompanhamos na semana passada o evento Mais Mulheres Na Política Capixaba, realizado pelo Agenda Mulher, programa do governo do Estado do Espírito Santo e divulgado aqui pelo jornal. Importantíssimo evento que integra um movimento que vem tomando cada vez mais força agora em ano eleitoral diante dos dados que mostram a lacuna de representatividade das mulheres na política institucional.
Nós mulheres somos mais da metade da população brasileira, mas somente 13,5% de mulheres foram eleitas para o cargo de vereadoras nas últimas eleições municipais, de acordo com dados do Observatório de Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe. E como a gente muda isso? Votando em mulheres, participando e incentivando movimentos que defendem a representatividade. Além de movimentos e eventos institucionais como o Mais Mulheres Na Política Capixaba, também há coletivos de mulheres atuando de forma voluntária e levantando hashtags como #maismulheresnapolitica #votenelas #elasnopoder.
Esse movimento está sendo fomentado, a princípio, até pelo governo federal, por meio do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. No dia 28 de agosto, foi lançado o Mais Mulheres na Política. Seria um passo importante, não fosse toda a misoginia que sustenta as ações e as políticas do governo federal. Na mesma semana, a ministra Damares nomeou para Teresinha de Almeida Ramos Neves para o Departamento de Promoção da Dignidade da Mulher. Teresinha já se manifestou contrária ao aborto mesmo em caso de estupro, igualando a prática ao crime de infanticídio.
Damares logo saiu na defensiva no Twitter e disse que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos “não tem absolutamente qualquer competência para tratar do tema aborto. Quem tem essa competência é o @minsaude. Polemizar com essa nomeação é desnecessário.”. Desnecessária é Damares e seus seguidores contrários à vida. Com certeza a questão do aborto no Brasil é uma questão de saúde pública – e não de política criminal, como é tratada pela ministra, pelo presidente e por quem não quer enxergar a realidade: uma em cada quatro mulheres já fez um aborto.
Além de ser uma questão de saúde pública, é também uma demanda a ser tratada pelo ministério que tem no nome “Mulher” e “Direitos Humanos”, porque não adianta apenas criar um programa para incentivar que mais mulheres estejam na política institucional representando a maioria da população brasileira se, ao mesmo tempo, toma todas as medidas que vão na contramão das demandas de tantas mulheres e meninas brasileiras e que violam diariamente seus direitos humanos.