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Meio ambiente

A descarbonização do planeta e os seus desafios

Criar valor e meios de subsistência doméstica, ajudando o mundo a descarbonizar, parece ser a proposta mais promissora da transição energética

Publicado em 26 de Dezembro de 2022 às 00:20

Públicado em 

26 dez 2022 às 00:20
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

medrodrigo@gmail.com

Li um interessante artigo do professor Ricardo Hausmann, da Universidade de Harvard, publicado na revista Finance & Development, do Fundo Monetário Internacional, na edição de dezembro de 2022. Em síntese, a descarbonização global seria altamente intensiva em metais e elementos de terras raras, considerando-se o conjunto das tecnologias existentes. Farei alguns breves comentários sobre o artigo.
Segundo Hausmann, “mais de 70% das emissões globais são oriundas do uso de energia” e, para descarbonizar, “o mundo precisa eletrificar as coisas que fazemos atualmente com os combustíveis fósseis e gerar essa eletricidade a partir de fontes verdes, como eólica e solar”. O ponto de estrangulamento identificado pelo professor para acelerar essa transição é a oferta de recursos naturais.
Enormes quantidades de painéis solares, turbinas eólicas, cabos elétricos e capacitores, para armazenar energia, como as baterias de íons de lítio, demandam recursos naturais e a aceleração do extrativismo mineral. Portanto, de acordo com o professor, “o zero líquido requer um boom de mineração”.
Os riscos ambientais associados são velhos conhecidos. Conforme ponderou Hausmann, “a maioria dos países falha na implementação de um regime aberto ao investimento, mas que gerencie adequadamente estes riscos e conflitos de interesses”. As dramáticas tragédias recentes da mineração não devem ser esquecidas no Brasil.
Hausmann chamou a nossa atenção para a geopolítica da transição energética, ou seja, para o fato de que muitas grandes fábricas estão sendo construídas para produzir baterias de íons de lítio na China, na Europa e nos Estados Unidos. Como síntese, destacou o professor, “enquanto algumas indústrias crescerão, à medida que o mundo se descarbonizar, outras encolherão”.
Tendo em vista a complexidade da transição, Hausmann sugeriu que se deve capitalizar a proximidade com as energias renováveis para evitar os seus custos de transmissão. O professor também sugeriu que se mantenha o custo de capital baixo para financiar os projetos viáveis de energias renováveis.
Para Hausmann, “boas instituições e gestão macroeconômica que mantêm o risco país baixo são determinantes críticos do custo do capital e, portanto, da capacidade do país de ser competitivo em energia verde”. Os países com desigualdades sociais extremas já desperdiçaram oportunidades históricas a partir de suas dotações de recursos naturais, com uma gestão macroeconômica equivocada.
De acordo com Atlas de 2022, o potencial eólico capixaba supera os 160 mil gigawatts ao ano.
Energia eólica Crédito: Freepik
Após a deliberação pelo fim do “orçamento secreto”, por inconstitucionalidade, o novo governo brasileiro precisará criar ações para diminuir o endividamento das famílias, que está fazendo com que milhões de pessoas não consigam ter acesso a três refeições diárias, enquanto os lucros do rentismo cresceram. Nossas desigualdades sociais extremas, reforçadas pela tributação regressiva, se tornaram mais perversas do ponto de vista da insegurança alimentar.
Hausmann ressaltou ainda a necessidade de se gerenciar os riscos tecnológicos. Ele citou que “a vigilância tecnológica é feita regularmente pela indústria, mas poucos governos fazem o suficiente”. Israel e Cingapura, por exemplo, possuem cientistas em seus ministérios da economia para antecipar as mudanças que podem estar por vir e decidir as apostas de pesquisa e desenvolvimento mais promissoras.
O professor defendeu a exploração dos sumidouros de carbono. O desafio é construir mercados com escala internacional para a obtenção de créditos de carbono, reflorestando áreas desmatadas ou protegendo florestas existentes. Incentivos e renúncias fiscais precisam ser repensados nos países, assim como os sistemas tributários e creditícios. Trata-se de um desafio histórico complexo.
Talvez a parte do artigo mais interessante seja a recomendação para que os países se planejem para aprender. Afinal, segundo Hausmann, “nenhum país hoje se destaca nas tecnologias e indústrias que moldarão o futuro”. O crescimento econômico nunca se limitou a concentrar-se nas vantagens comparativas vigentes. A evolução da sofisticação das capacidades produtivas é parte crucial do processo de desenvolvimento dos países.
Como exemplo, Hausmann citou a França, que possui uma longa história de ser boa em produzir vinhos e queijos, mas que também se tornou boa em produzir aviões comerciais e trens de alta velocidade. Outros países poderiam ter sido citados, como é o caso da Coreia do Sul. Por fim, o professor destacou que criar valor e meios de subsistência doméstica, ajudando o mundo a descarbonizar, parece ser a proposta mais promissora da transição energética.
Não devemos esquecer das forças da “estagnação secular”, algo que foi destacado em um artigo publicado, neste dezembro, no âmbito do McKinsey Global Institute. Em síntese, o mundo deveria intensificar os esforços para impulsionar o crescimento da produtividade e realocar o capital para os setores produtivos. Preocupações com os processos de desalavancagens e com os perdões de dívidas foram ressaltadas.

Rodrigo Medeiros

E professor do Instituto Federal do Espirito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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