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Cenário mundial

Invasão da Ucrânia pela Rússia: consequências na geopolítica e na economia

A economia mundial não se recuperou completamente da pandemia de Covid-19 e o conflito bélico na Europa acrescenta novas incertezas no horizonte

Publicado em 07 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

07 mar 2022 às 02:00
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

medrodrigo@gmail.com

Para muitos analistas, a invasão da Ucrânia terá repercussões globais diversas. Alguns citam a perspectiva de uma “nova ordem mundial”, outros apenas indicam que as expectativas econômicas apontam, já no curto prazo, para a elevação dos preços de commodities energéticas e alimentares. A invasão russa desestabilizou os mercados agrícolas, algo que irá repercutir em processos inflacionários no mundo e no Brasil.
A economia mundial não se recuperou completamente da pandemia de Covid-19 e o conflito bélico na Europa acrescenta novas incertezas no horizonte. Cadeias de suprimentos globais não foram plenamente restabelecidas e, de agora em diante, enfrentam novos desafios de interrupções, inclusive possíveis bloqueios marítimos e os efeitos de sanções econômicas.
O professor José Luís Fiori, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista à Carta Capital, no dia 25 de fevereiro, destacou que “a Europa não tem como substituir a energia russa no curto nem no médio prazo. Se forem obrigados pelos norte-americanos a cortar seus laços energéticos com a Rússia, terão que enfrentar de imediato racionamento, inflação, perda de competitividade e, muito provavelmente, revoltas sociais de uma população que já foi atingida pesadamente pelos efeitos da pandemia do coronavírus”.
Segundo Fiori, a declaração conjunta da Rússia e da China, em 7 de fevereiro, consagrou a convergência entre as partes e “anuncia o fim do poder e da ética mundial unipolar imposta pelo ocidente nos últimos 300 anos”. Iremos descobrir logo adiante a quais anseios de justiça e equidade social essa proposta de nova ordem atenderá? Estamos testemunhando o fim da era da hegemonia dos Estados Unidos sobre os destinos do mundo? Qual será o posicionamento do Brasil no concerto das nações?
Recentemente, o anúncio do chanceler Olaf Scholz, em 27 de fevereiro, apontou no sentido de que o governo alemão fará um investimento de 100 bilhões de euros para modernizar as Forças Armadas (Bundeswehr). Scholz, socialdemocrata, acrescentou que serão destinados mais de 2% do PIB anualmente para a defesa.
De acordo com uma matéria da DW Brasil, de 27 de fevereiro, "melhores equipamentos, equipamentos modernos, mais pessoas, isso custa muito dinheiro", reconheceu o chanceler, que afirmou que tal compromisso fiscal é condizente com um país do tamanho e da importância da Alemanha na Europa. Rendas e empregos novos serão gerados na indústria alemã a partir das encomendas viabilizadas pelo gasto público federal. Não será novidade histórica a aplicação do “keynesianismo militar”.
Matéria publicada no Correio Braziliense, em 25 de fevereiro, assinada por Deborah Cardoso, trouxe informações relevantes sobre os impactos da crise internacional no Brasil. Rússia e Ucrânia “produzem 14% do trigo global e respondem por 29% de todas as exportações do cereal”. A jornalista acrescentou que, “como o Brasil é um dos maiores importadores do mundo, o efeito na mesa dos brasileiros começará pelo pãozinho, estendendo-se por produtos como macarrão, biscoitos, rações animais e cerveja”.
José Luís Oreiro, o professor da Universidade de Brasília (UnB), entrevistado na matéria, “ressaltou que essa crise deverá afetar ainda os preços dos fertilizantes importados pelos agricultores brasileiros, deixando os alimentos mais caros”. Segundo afirmou o professor, viveremos “um quadro perverso, composto por carestia, crédito caro e recessão”. Piorou o que já não era bom em termos de expectativas econômicas para o ano no Brasil.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi criada em 1949 para conter a ameaça de expansão territorial da área de influência da União Soviética, extinta a partir de 1991. Durante a Guerra Fria, o Pacto de Varsóvia, criado em 1955, foi a resposta do campo de influência soviética após a Alemanha Ocidental ter ingressado na Otan. A “doutrina da contenção” imperou então no campo liderado pelos Estados Unidos e, após o colapso soviético, o expansionismo da Otan para o leste europeu trouxe o mundo a essa situação.
George Kennan (1904-2005), um dos principais arquitetos da política externa norte-americana na Guerra Fria, alertou contra a expansão da Otan em países do antigo Pacto de Varsóvia. De acordo com Archie Brown, professor emérito da Universidade de Oxford, em entrevista à Exame, publicada no dia 6 de fevereiro, “a insensibilidade ocidental à preocupação russa sobre uma aliança militar hostil, a Otan, que se aproximava cada vez mais de suas fronteiras representa uma grande parte do pano de fundo das atuais tensões”. A perspectiva de invasão da Ucrânia pela Rússia não se mostrou um blefe político da liderança russa.
Os dirigentes de vários países estão se mobilizando para buscar formas de mitigar domesticamente o agravamento da crise internacional. O que tem feito o Brasil, que já apresentava uma perspectiva de recessão para 2022, antes da invasão da Ucrânia? A imprensa brasileira vem destacando que existem pressões altistas sobre os preços internos por conta do aumento da cotação do petróleo, dificuldades de suprimentos de fertilizantes e trigo, e queda da demanda por produtos da nossa pauta exportadora. Quais são os recursos e as reservas estratégicas brasileiras que serão mobilizados para o enfrentamento da crise?

Rodrigo Medeiros

E professor do Instituto Federal do Espirito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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