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Economia

Nem toda desindustrialização é igual

A desindustrialização precoce iniciada a partir de 1986 comprometeu a consolidação de setores tecnológicos estratégicos e de um sistema nacional de inovação robusto
Rodrigo Medeiros

Publicado em 

22 dez 2025 às 03:00

Publicado em 22 de Dezembro de 2025 às 06:00

Houve comemoração diante do recuo do tarifaço norte-americano imposto aos produtos brasileiros: “Em sua esmagadora maioria, commodities agrícolas”, destacou Pedro Cafardo, em coluna publicada no jornal Valor Econômico (edição digital de 9 de dezembro). O alívio foi compreensível. No entanto, como alertou o colunista, “nenhum país ficou rico apenas exportando commodities agrícolas”.
Cafardo citou o artigo ‘Nem toda desindustrialização é igual: lições do caso brasileiro (1985–2022)’, de autoria dos economistas André Nassif, Milene Tessarin e Paulo Morceiro. Segundo os autores, “a desindustrialização é bastante assimétrica entre os setores”, refletindo tanto a diversidade da estrutura produtiva da manufatura quanto a heterogeneidade do padrão de consumo no Brasil, marcado por elevada desigualdade de renda.
Em análise publicada em seu site no dia 8 de novembro, o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) Paulo Gala aprofundou a discussão sobre o artigo. Para ele, “os autores demonstram que a composição interna da manufatura é decisiva para compreender a qualidade e as causas do declínio industrial”. Historicamente, a indústria desempenhou papel central no desenvolvimento econômico, impulsionando ganhos de produtividade, inovação e a formação das classes médias nas economias hoje desenvolvidas.
No que se refere ao processo de desindustrialização, os autores do artigo identificaram dois tipos distintos. A chamada “desindustrialização normal”, representada por uma curva em forma de U invertido, ocorre em países de alta renda per capita e decorre de ganhos de produtividade e da migração da mão de obra para serviços mais sofisticados. A “desindustrialização prematura” caracteriza países ainda em desenvolvimento, que é o caso do Brasil.
Os dados citados merecem a nossa atenção: a participação da manufatura no emprego total caiu de 27,7%, em 1986, para 15,1%, em 2022. No mesmo período, sua contribuição para o PIB recuou de 27,3% para 14,4%. Essas quedas, contudo, não se deram de forma homogênea entre os setores e, segundo Nassif, Tessarin e Morceiro, elas impõem sérias limitações ao desenvolvimento de longo prazo do país.
A desindustrialização precoce iniciada a partir de 1986 comprometeu a consolidação de setores tecnológicos estratégicos e de um sistema nacional de inovação robusto. Como observou Paulo Gala, cerca de 70% da desindustrialização total decorreram de setores de baixa e média-baixa intensidade tecnológica, enquanto 30% se originaram em setores de maior conteúdo tecnológico.
Trabalhador
Indústria Crédito: Pixabay
O resultado desse processo foi que “o Brasil interrompeu seu ciclo de aprendizado produtivo antes de consolidar sua base tecnológica”, avaliou Gala. O artigo de Nassif, Tessarin e Morceiro defende que as políticas de reindustrialização devem ser setoriais e orientadas pela intensidade tecnológica, evitando abordagens homogêneas e genéricas.
Conforme sintetizou Gala, setores maduros de baixa tecnologia demandam políticas de curto prazo, como câmbio competitivo e crédito, enquanto setores de alta tecnologia requerem investimentos sustentados em inovação, pesquisa e desenvolvimento, além de integração com universidades e centros tecnológicos. Nem toda desindustrialização é igual e tampouco devem ser as respostas a ela.
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