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Segurança pública

Políticas de insegurança geram desespero e preservam o status quo

O fracasso das políticas de enfrentamento à violência alimenta o medo social e fortalece discursos extremistas que mantêm tudo como está
Rodrigo Medeiros

Publicado em 

10 nov 2025 às 04:00

Publicado em 10 de Novembro de 2025 às 07:00

Impactado ainda pelas cenas de terror e grande violência ocorridas recentemente na cidade do Rio de Janeiro, tomei conhecimento do artigo escrito por Daniel Kersffeld, pesquisador do Conicet - Universidade Torcuato di Tella, publicado no jornal argentino Página12, em 31 de outubro de 2025. Farei alguns breves comentários críticos sobre “a nova crise” da segurança pública no Rio.
Políticas de insegurança geram desespero, medo e votos para extremistas de direita. Elas não melhoram a segurança pública e promovem um clima adequado para propostas equivocadas que preservam o status quo. Afinal, o envolvimento histórico de agentes das forças públicas de segurança com o crime não é algo novo entre nós, conforme está muito bem descrito no livro ‘A república das milícias’, de Bruno Paes Manso, editado pela Todavia (2020).
Policiais durante megaoperação no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro
Policiais durante megaoperação no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro Crédito: Eduardo Anizelli/Folhapress
Publicações do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), por sua vez, apontam a real necessidade de uma maior qualificação técnica do trabalho das forças públicas de segurança. O combate consistente aos sofisticados esquemas financeiros de lavagem de dinheiro se faz necessário. Há, por exemplo, a migração de crimes do “real para o virtual”, o que exige melhorias na qualidade das políticas públicas de combate ao crime.
A presença de mercenários estrangeiros na guerra da Ucrânia, desde fevereiro de 2022, está conectada com a farta chegada de armamentos procedentes dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Milicianos da América Latina estão presentes para lutar pela Ucrânia. Alguns esperam inclusive adquirir a cidadania ucraniana, “europeia”.
De acordo com o pesquisador argentino, “grupos dispersos, tanto do Comando Vermelho quanto de sua gangue rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC), aventuraram-se nos campos de batalha ucranianos como uma rota de acesso privilegiada não apenas ao armamento mais moderno enviado pelas potências ocidentais, mas também como um campo de treinamento para novas táticas de guerra de alta intensidade”. Os nossos sistemas de inteligência não sabem disso?
O pesquisador destacou que os milicianos adquirem experiência na guerra e estabelecem contatos com outras quadrilhas europeias de narcotráfico, “com organizações criminosas dedicadas ao comércio ilegal de armas, que proliferaram graças à exportação maciça e descontrolada de recursos militares de todos os tipos para Kiev”. O armamento militar está chegando ao Brasil por meio de uma extensa rota com paradas na Europa Oriental e no Paraguai. A ofensiva militar contra a Rússia se transformou, segundo Kersffeld, “em um laboratório especializado na formação de recursos humanos destinados ao crime e na preparação de novas redes criminosas transnacionais”.
O Brasil possui uma das maiores taxas de homicídio do mundo, com várias de suas cidades enfrentando altas taxas de assassinato. Esses números ruins podem até ser comparados com áreas em conflito de guerra, realidade que afeta negativamente o capital social no território, as oportunidades de crescimento profissional de indivíduos e as perspectivas econômicas para a população. Sobre esse assunto, publiquei um artigo acadêmico com Eduarda La Rocque e Ana Clara Raft na Revista Interdisciplinar de Pesquisas Aplicadas (Rinterpap), na edição de número 2 de 2023.
Pesquisa Datafolha feita entre os dias 30 e 31 de outubro na capital e na região metropolitana do Rio de Janeiro revelou que 77% afirmaram ser mais importante priorizar a investigação do que simplesmente matar criminosos. Uma luz de bom senso no fim do túnel.
Compõem a trágica normalidade nacional as operações policiais e militares de Garantia da Lei e da Ordem que se assemelham a ações em zonas de conflito, devido ao uso de armamentos pesados e ao número de baixas. No Brasil, a trágica violência cotidiana está imersa em contextos de problemas sociais, econômicos e criminais, como o tráfico de drogas, a desigualdade estrutural, a falta de oportunidades para jovens e adultos e a fragilidade das instituições de segurança pública. Cui bono?
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