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Economia

Recuperação global em marcha, mas com divergência entre  ricos e emergentes

A maioria das medidas fiscais expirou em 2020 nos países não desenvolvidos. Brasil, Hungria, México, Rússia e Turquia iniciaram elevações nas taxas básicas de juros para fazer frente a pressões de alta nos preços

Publicado em 09 de Agosto de 2021 às 02:00

Públicado em 

09 ago 2021 às 02:00
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

medrodrigo@gmail.com

Juros em baixa atraem mais investimentos
Divergências nas políticas fiscais de apoio constituem uma fonte de aumento das disparidades Crédito: Divulgação
Publicado no dia 27 de julho, no blog do Fundo Monetário Internacional (FMI), o artigo de Gita Gopinath, a economista-chefe da respectiva instituição, traz reflexões oportunas sobre a natureza da recuperação econômica mundial. Em síntese, cresce a divergência na recuperação global e existem incertezas sobre o comportamento do vírus na pandemia. A pandemia ainda não terminou.
De acordo com a economista, “a recuperação econômica global continua em marcha, mas com uma divergência cada vez maior entre as economias avançadas e muitas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento”. A economia mundial deverá crescer 6% em 2021, com quedas de perspectivas de desempenho das economias emergentes e em desenvolvimento.
As previsões do FMI refletem o percentual da população vacinada nos países. Conforme ponderou a sua economista-chefe, “taxas de vacinação elevadas e uma volta à normalidade mais rápida do que o previsto levaram à revisão em alta, enquanto a falta de acesso a vacinas e novas ondas de casos de Covid-19 em alguns países, particularmente na Índia, resultaram na revisão em baixa”.
O sofrimento social foi maior para os países não desenvolvidos. Segundo Gopinath, “estimamos que a pandemia tenha reduzido a renda per capita das economias avançadas em 2,8% ao ano relativamente às tendências anteriores à pandemia para 2020-2022, em comparação com uma perda anual de renda per capita de 6,3% nas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento (excluindo a China)”.
Divergências nas políticas fiscais de apoio constituem uma fonte de aumento das disparidades. O apoio fiscal expressivo, de US$ 4,6 trilhões em medidas ligadas à pandemia disponíveis em 2021 e além, faz parte das medidas dos países desenvolvidos. Para Gopinath, “grande parte da revisão em alta do crescimento global em 2022 reflete o apoio fiscal adicional previsto nos Estados Unidos e os recursos da iniciativa Next Generation da União Europeia”.
A maioria das medidas fiscais expirou em 2020 nos países não desenvolvidos. Brasil, Hungria, México, Rússia e Turquia iniciaram elevações nas taxas básicas de juros para fazer frente a pressões de alta nos preços. No caso brasileiro, sabemos que a inflação não é de demanda. Exportadores de commodities se beneficiaram dos preços internacionais. Os avanços da fome, da insegurança alimentar e da precarização das relações de trabalho revelam que piorou o que já estava ruim antes da pandemia no Brasil.
Dificuldades enfrentadas nas cadeias de suprimentos geraram pressões de alta sobre os preços. A desmontagem das estratégias de estoques reguladores de alimentos no Brasil, por sua vez, tem a sua parcela de responsabilidade na pandemia. No geral, pode-se dizer que uma parcela significativa da inflação anormalmente alta é transitória e resultante de setores afetados pela pandemia.
Expectativas de inflação no longo prazo continuam ancoradas, pois a automação, que reduziu a sensibilidade dos preços a variações de ociosidade no mercado de trabalho, se intensificou durante a pandemia em muitas economias. No entanto, em algumas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento, a inflação deverá permanecer alta em 2022, tendo em vista as pressões continuadas sobre o preço dos alimentos e as desvalorizações cambiais.
Na lista de Gopinath para as políticas nacionais necessárias para garantir a recuperação constam:
  1.  priorizar os gastos com saúde, com vacinas, e apoiar famílias e empresas afetadas; 
  2. assegurar a recuperação com um apoio fiscal e monetário mais amplo, incluindo medidas corretivas para reverter as perdas na educação, e apoiar a realocação de mão de obra e capital para setores em crescimento por meio de subsídios direcionados; 
  3.  investir no futuro, promovendo metas de longo prazo de aumento da capacidade produtiva, acelerar a transição para uma menor dependência de carbono e aproveitar os benefícios da digitalização.
Para garantir a sustentabilidade da dívida pública, deve-se aumentar a progressividade tributária e eliminar os gastos desnecessários. De acordo com a economista-chefe do FMI, “os bancos centrais devem evitar o aperto prematuro de suas políticas monetárias ao enfrentar pressões inflacionárias transitórias”.
Países não desenvolvidos devem evitar a acumulação de dívidas em moeda estrangeira sem proteção cambial. Esses países devem inclusive avaliar criticamente a desnacionalização de atividades econômicas estratégicas.

Rodrigo Medeiros

E professor do Instituto Federal do Espirito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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