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Mundo

Tarifaço de Trump e as tensões históricas na globalização

Para quem defende que as regras estáveis e previsíveis são importantes para o comércio e a paz internacional, Krugman destacou que essa não é a primeira vez que os EUA usam tarifas com um propósito político

Publicado em 21 de Julho de 2025 às 04:00

Públicado em 

21 jul 2025 às 04:00
Rodrigo Medeiros

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Rodrigo Medeiros

medrodrigo@gmail.com

Os rompantes decisórios da administração norte-americana de Donald Trump revelam algo a mais do que incompetência e loucura. Muitos analistas buscam decifrar os métodos por trás da grotesca figura do presidente dos Estados Unidos. O presidente seria uma personalidade política farsesca em sintonia com o tempo de questionamentos da globalização neoliberal?
Trump anunciou tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA. Em artigo publicado no site Substack, no dia 9 de julho de 2025, o economista Paul Krugman disse que essas tarifas representam um “programa de proteção a ditadores”. Segundo Krugman, o presidente dos EUA não disfarça que exista uma justificativa econômica para a sua decisão.
Para quem defende que as regras estáveis e previsíveis são importantes para o comércio e a paz internacional, Krugman destacou que essa não é a primeira vez que os EUA usam tarifas com um propósito político. O economista avaliou sucintamente as prováveis consequências para o caso brasileiro.
Krugman estimou, com base nos números da Organização Mundial do Comércio (OMC), que as exportações para os EUA representam menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Se os EUA “ainda tivessem uma democracia funcional, essa aposta contra o Brasil seria por si só uma base para um impeachment” de Trump, ressaltou o economista.
Tensões e descontentamentos em relação à globalização não são novos. Nesse sentido, o livro ‘A globalização foi longe demais?’, do professor Dani Rodrik, da Universidade de Harvard, trouxe uma análise profunda desde a sua primeira edição nos EUA, em 1997. Entre nós, a Editora Unesp publicou o livro em 2011.
De acordo com Rodrik, “a globalização engendra conflito dentro e entre as nações com relação às normas domésticas e às instituições sociais que as incorporam”. Afinal, segundo o acadêmico, “barreiras reduzidas ao comércio e ao investimento acentuam a assimetria entre os grupos que podem cruzar as fronteiras internacionais e aqueles que não podem”.
Como lição da história, Rodrik afirmava então que “a globalização continuada não pode ser dada como certa”. Em síntese, “a abertura amplia os efeitos dos impactos no mercado de trabalho”. A globalização promoveu um grande nivelamento por baixo de salários e empregos, pois a integração econômica corroeu o poder de barganha dos trabalhadores.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um discurso no Salão Leste da Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um discurso no Salão Leste da Casa Branca Crédito: CARLOS BARRIA/AP
Para responder ao questionamento do primeiro parágrafo, cito novamente Rodrik: “é plausível que a profunda sensação de insegurança sentida pelos participantes do mercado de trabalho atual esteja relacionada ao fato de que a globalização tornou seus serviços muito mais facilmente substituíveis do que antes”. Em nova crise existencial, o capitalismo liberal precisa apelar para novos tipos de fascismos?
Segundo Fernando Rosas, no livro ‘Salazar e os fascismos’, editado pela Tinta-da-China Brasil, em 2023, “o fascismo enquanto regime é o compromisso do populismo com as oligarquias dominantes, no quadro de uma ordem nova moldada pela ideologia fascista”. Ainda de acordo com o acadêmico da Universidade Nova de Lisboa, “o fascismo, enquanto movimento ou enquanto regime, é um produto do capitalismo”.
Conforme ponderou o professor, em um balanço de história comparada, os regimes fascistas nascem da aliança entre as direitas tradicionais rendidas às soluções fascistas e os movimentos fascistas populares. Os flertes desavergonhados das elites liberais com políticos extremistas de direita revelam que a democracia brasileira não se afastou do abismo.

Rodrigo Medeiros

E professor do Instituto Federal do Espirito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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