A primeira metade do ano passou, a revisão semestral também, e o planejamento feito lá no começo de 2024 não está batendo com os resultados. Parece familiar?
Essa é uma realidade comum para muitas empresas. Revisitar os indicadores e rever metas faz parte do processo, mas não significa que tudo está perdido. Frequentemente, existem maneiras de reverter a situação. O problema está em identificar exatamente o que impediu o avanço conforme o plano, e o que fazer a respeito.
Há duas hipóteses sobre o que deu errado. A primeira é que as premissas do plano se mostraram equivocadas. Por exemplo, você pode ter definido determinada taxa de crescimento com base em uma visão do mercado que fazia sentido no ano passado, mas que agora está defasada. É um risco de qualquer previsão: ela sempre pode estar errada. O cenário socioeconômico pode mudar, regulamentações podem ser alteradas, setores podem se movimentar mais, ou menos, de acordo com inúmeras variáveis.
Até mesmo premissas internas sobre a organização podem não corresponder à realidade. Você pode ter contado com um ritmo de produção que não se concretizou, ter enfrentado mudanças de equipe que atrapalharam os projetos em andamento, entre tantos fatores possíveis.
Portanto, se foi isso o que aconteceu, é preciso revisar essa premissa e descobrir precisamente quais os indicadores afetados por ela. Se o fornecedor ficou mais caro, os indicadores de custo foram impactados; se houve demissões inesperadas, a produtividade deve ter caído; cada link conta uma história. Então, a solução é compensar esses indicadores — trocar de fornecedor, retomar as contratações, o que for preciso. Para toda premissa alterada, uma mudança nas engrenagens se faz necessária.
Existe também a segunda hipótese: quando as premissas estavam certas, mas houve falha na execução do plano. Isso exige uma análise profunda para entender a causa por trás do problema. É complexo, pois é difícil encontrar os tropeços quando o contexto está de acordo com o esperado. Retomando o exemplo do fornecedor, se ele não ficou mais caro, por que os custos aumentaram? Talvez o departamento comercial esteja fazendo acordos pouco estratégicos, ou algum processo esteja demandando mais do que deveria. É preciso cavar para achar.
Depois que a imprecisão for encontrada, chega a hora de fazer um plano de ação. Isso é bastante variável, já que cada ação tem relação com um indicador. Mas vale ressaltar que nem tudo deve acontecer “pra ontem”. Algumas ações corretivas naturalmente levam semanas ou meses para serem aplicadas. Você talvez precise reestruturar processos, mudar a equipe ou iniciar projetos do zero. Podem ser coisas mais simples, também, mas apenas a avaliação vai descobrir, e é importante dar tempo para que cada ação realmente resolva o que se propôs a resolver.
Todas essas análises e mudanças têm potencial para fechar o gap entre onde você está e a meta para o final do ano. É certeza que vai dar certo? Não, assim como não foi uma certeza quando o primeiro semestre fechou. Mas, em muitos casos, as chances existem e não são fracas, desde que se faça esforço para retomar as rédeas.