Fim do ano para grande parte das pessoas é sinônimo de férias e descanso. Não para mim. Viajar sempre foi parte importante da minha vida. Meu pai é formado em turismo e costumava dizer que "tudo na vida são prioridades". E na nossa família, viajar era uma delas. Sempre dávamos um jeito de conseguir explorar novos lugares juntos.
Do meu pai também herdei o hábito de estar “always on”. Mesmo durante as viagens, ele nunca deixava de atender ligações ou checar com a equipe se estava tudo sob controle. Confesso que levei isso para minha vida profissional.
Para mim, faz mais sentido ter a liberdade de viajar com frequência, alternando momentos de descanso e lazer com algumas responsabilidades do dia a dia, do que tirar longas férias e ficar totalmente offline. Essa lógica funciona porque gosto do que faço, sei que o meu trabalho é significativo e, sinceramente, não tenho o tal botão de desligar.
Isso não significa que não me preparo para viajar. Antes de sair, concentro reuniões importantes na semana que antecede a viagem, adiantando o máximo de decisões possíveis. Durante a viagem, evito compromissos em dias de deslocamento intenso, como trocas de cidade ou voos longos. Sempre que possível, também prefiro evitar voos em horários comerciais, para não comprometer a rotina de trabalho.
Quando não dá para fugir e acabo pegando voos nesses horários, aproveito o tempo para revisar documentos ou trabalhar em algo que exija mais concentração. Já nos dias mais tranquilos, encaixo reuniões e tarefas rápidas, garantindo que o ritmo de trabalho siga produtivo mesmo fora do escritório.
É importante também ter cuidado com o impacto disso na equipe. Não sobrecarrego o time com minhas tarefas nem delego responsabilidades para quem ainda não está preparado. O objetivo é manter o fluxo sem deixar o cliente ou a equipe na mão, mesmo à distância.
Sei que essa rotina pode soar exaustiva, mas aqui vai o ponto mais importante: essa é a forma que dá certo para mim. Não escrevo para romantizar essa escolha nem para dizer que não tirar férias deve ser um objetivo. Muito pelo contrário, divido essa experiência porque sei que há outras pessoas que, assim como eu, não conseguem desligar completamente e se culpam por isso.
Se você é uma dessas pessoas, quero te tranquilizar e dizer que não é só você. Não tem uma fórmula universal para equilibrar vida e trabalho, existe apenas o jeito que funciona para você e, se ele está alinhado com o que você acredita e com os resultados que busca, qual é o problema?