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Segurança pública

O preço do medo: quanto custa a criminalidade para o nosso progresso?

Pense no empresário transportador de cargas. Ele não sofre apenas a perda de R$ 1,2 bilhão anuais em roubos. O prejuízo se multiplica: ele precisa contratar rastreadores caríssimos, escoltas armadas e seguros proibitivos
Sávio Bertochi Caçador

Publicado em 

08 nov 2025 às 04:30

Publicado em 08 de Novembro de 2025 às 07:30

Andamos apressados nas ruas, checando o retrovisor, escondendo o celular. Para o(a) brasileiro(a), a insegurança não é uma estatística fria; é uma sensação diária, um peso invisível que carregamos no ombro. E esse medo, meus (minhas) amigos (as), tem um preço. Um preço altíssimo que, segundo a fria disciplina da Economia do Crime, é pago não só com a nossa paz, mas diretamente com o nosso Produto Interno Bruto (PIB).
Estamos falando de números que fariam qualquer gestor de empresa ou país perder o sono. O custo total da violência no Brasil? Pelo Ipea, já beirou os 6% do PIB em anos passados, com estimativas recentes sugerindo que o drama pode estar consumindo mais de 11% da nossa renda nacional. Para contextualizar, é como se a cada R$ 10 que produzimos, mais de R$ 1 fosse engolido pelos estragos da criminalidade – em balas, hospitais, tribunais ou trancas.
Enquanto nações mais desenvolvidas (as da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, por exemplo) conseguem manter seus gastos com segurança interna em modestos 1% ou 2% do PIB, nós gastamos muito mais e colhemos muito menos. É a prova de que nosso dinheiro, embora abundante em volume, é gasto de forma ineficiente, mais para "enxugar o gelo" do que para fechar a torneira do crime.
Pense no empresário transportador de cargas. Ele não sofre apenas a perda de R$ 1,2 bilhão anuais em roubos. O prejuízo se multiplica: ele precisa contratar rastreadores caríssimos, escoltas armadas e seguros proibitivos. Esse "Custo Brasil do Medo" é embutido no preço de tudo o que compramos, do smartphone à comida na mesa. O setor privado paga duas vezes: primeiro com o assalto, depois com o custo preventivo que tira o oxigênio da inovação e da competitividade.
Essa conta é ainda mais perversa quando olhamos o mapa do nosso país. Os números mostram, implacavelmente, que a violência e o subdesenvolvimento andam de mãos dadas. Estados com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e PIB per capita – como São Paulo ou Santa Catarina – tendem a ser mais seguros. Já nas regiões com os piores indicadores sociais, a criminalidade prolifera. Não é coincidência: a falta de oportunidades e a desigualdade são um convite de baixo custo para o crime.
Houve, contudo, raios de luz. Vimos estados como Pernambuco (com o "Pacto pela Vida") e outros no Sudeste (como o Espírito Santo) conseguirem, em certos momentos, reduzir suas taxas de homicídio através de planos bem desenhados. O segredo? Quase sempre, foi a combinação de inteligência, metas claras e investimento na investigação, aquilo que a teoria econômica chama de "certeza da punição". Porque, no fim das contas, o que mais intimida o criminoso não é a pena ser eterna, mas sim a certeza de que ele será pego.
Megaoperação da polícia do Rio nos complexos do Alemão e da Penha para combater o CV — Foto: Reprodução de vídeo
Megaoperação da polícia do Rio nos complexos do Alemão e da Penha para combater o CV  Crédito: Reprodução de vídeo/PCRJ
É nesse ponto que reside o nosso maior calcanhar de Aquiles: as facções criminosas. Elas são a empresa moderna do crime, e não serão vencidas apenas com mais viaturas nas ruas. Precisamos de uma política de Estado que siga as boas práticas internacionais e ataque o coração financeiro dessas organizações, bloqueando seus ativos e asfixiando sua capacidade de comando de dentro das prisões.
O caminho para o crescimento econômico sustentável do Brasil passa, inegavelmente, pela retomada da segurança. É preciso deixar de lado o eterno debate raso sobre "mais polícia ou mais educação" e investir em ambos, com estratégia. Investir na prevenção social para dar futuro aos jovens e investir na inteligência policial para garantir que o crime não compense. Esse é um possível caminho para que o Brasil deixe de pagar esse preço do medo e possa, finalmente, andar de cabeça erguida.
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