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Fim de ano

Alegria e melancolia: os diferentes sentimentos do Natal e ano-novo

Muitos não se alegram com a chegada das festas de fim de ano. Lembram-se dos entes queridos que já não estão aqui, principalmente se a perda é algo recente

Publicado em 08 de Dezembro de 2022 às 00:10

Públicado em 

08 dez 2022 às 00:10
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

tbahia65@gmail.com

“Quanto mais bela é uma coisa, mais tristes corremos o risco de ficar. (...)
Nossa tristeza não será do tipo dolorido, e sim uma mistura de alegria e melancolia; alegria pela perfeição que vemos à nossa frente, melancolia pela consciência de como é raro termos a benção de encontrar algo assim. O objeto perfeito coloca em perspectiva a mediocridade que nos cerca. Somos lembrados de como gostaríamos que as coisas fossem e de como nossas vidas continuam sendo incompletas”. (Alain de Botton, “A Arquitetura da Felicidade”)
Dezembro é um mês especial, sempre marcado pela celebração do Natal e do ano-novo.
Mas não é só isso: os alunos entram de férias; o povo, ajudado pelo 13º salário, sai às compras para presentear familiares e amigos; empresas promovem confraternizações; a expectativa pela chegada do verão com todo mundo querendo curtir uma praia, enfim, tudo corroborando para uma alegria contagiante.
No entanto, tem aqueles que não se alegram com a chegada do Natal. Muitos lembram os entes queridos que já não estão aqui, principalmente se a perda é algo recente.
Tem quem sofra por não poder comprar o presente que tanto queria dar para alguém muito querido, pois a situação financeira não é das melhores e a prioridade é pagar as contas e/ou encher a barriga. Para outros a tristeza se dá justamente por que sabem que o presente tão desejado não virá, sendo um sonho distante. Tem até quem nunca ganhe nem sequer uma lembrancinha de Natal.
E quanto ao ano-novo? Não ser convidado para uma badalada festa de réveillon, quando se sabe que outros já estão com seus convites na mão, é um baita sofrimento!
Uma inesperada chuva (mesmo sem a intensidade das que vieram em novembro e início de dezembro e tanta tristeza trouxeram) também pode estragar a tão aguardada festa de virada do ano para quem imaginava ver fogos de artifício explodindo num céu estrelado.
Decoração de Natal
Decoração de Natal Crédito: Pixabay
O fim das aulas tampouco tem muita graça para quem fica de recuperação ou, pior, acaba sendo reprovado e, por isso mesmo, ficará de castigo sem poder curtir inteiramente as férias. Além disso, um sentimento de fracasso, de melancolia, é algo que também bate nos pais daqueles alunos que não foram aprovados.
Boa parte dos trabalhadores brasileiros não possuem carteira assinada, são autônomos, e, portanto, não recebem o 13º salário. Trata-se de um dinheirinho a mais que não só arrefece o aperto financeiro ao longo do ano, como pode mesmo ajudar nas compras natalinas. Infelizmente o salário extra não é realidade para a maioria da galera que labuta.
Em tempos de redes sociais, muitas confraternizações de empresas acabaram com lavagem de roupa suja entre colegas de trabalho. Há ainda casos de sorrisos amarelos envolvendo colaboradores que não sabem se seguirão na empresa assim que o ano virar.
Para quem não tem dinheiro para viajar nas férias, a proximidade do verão nada mais é do que um terrível sofrimento. E voltando às redes sociais, onde todo mundo aparenta viver uma felicidade imensa que só causa inveja, a beleza corporal é valor inegociável, de tal modo que a exposição do corpo sob biquínis e sungas é razão de pânico para muita gente e arrogância para outros.
Eu até concordo com Vinicius quando fala da beleza, dizendo ser algo fundamental. Mas, cá entre nós, o belo tem que ser soar natural, com leveza, sem qualquer tipo de soberba em relação aos demais.
E já que falamos agora do belo a partir da polaridade alegria e melancolia, e que nos leva ao pensamento de Alain de Botton, é mesmo conveniente ter a arte em mente.
Nada supera a emoção de receber um cartão de Natal feito com as próprias mãos. Imagine-se fazendo uso de colagens, lápis de cor, garatujas, rabiscos, hachuras ou qualquer outra técnica gráfica, e que se junta a uma mensagem poética que busca expressar um sentimento de carinho em relação a alguém especial.
É claro que um cartão assim, mais do que uma obra de arte, nada mais é do que uma sincera demonstração de afago que se vê apresentada com sensibilidade. Mas, é importante ressaltar, sequer precisa ser um fenômeno natalino e sim algo onipresente na vida das pessoas.
Do mesmo modo, a sensibilidade artística que supera a melancolia e nos traz alegria se vê nos corais natalinos, nas alegorias que decoram as festas de virada de ano, numa canga ou saída de praia estampada (quem sabe floral, ou tribal?) e que expurga toda aquela superficialidade dos que acham que a vida se resume a um corpo sarado de quem só pensa em dieta e malhação.
Pois é, a arte é capaz de nos salvar. Salvar da tristeza, da melancolia, mas não só no Natal ou no fim de ano, mas durante todos os nossos dias, durante a vida.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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