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Patrimônio

Forte de Piratininga, na Baía de Vitória, é joia arquitetônica a ser preservada

O também chamado Forte de São Francisco Xavier da Barra tem planta circular e "é um exemplar excepcional da arquitetura militar brasileira”, conforme nos diz a arquiteta e professora da Ufes Luciene Pessotti

Publicado em 14 de Julho de 2022 às 01:00

Públicado em 

14 jul 2022 às 01:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

tbahia65@gmail.com

O Forte de Piratininga (Forte de São Francisco Xavier da Barra)
O Forte de Piratininga (Forte de São Francisco Xavier da Barra) Crédito: Site 38° BI/Reprodução
"Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado." (Emília Viotti da Costa)
Brasil, apesar de toda sua riqueza histórica, cultural e ambiental, vem mostrando não só ao mundo, mas ao seu próprio povo, um enorme desprezo por aquilo que justamente é a sua razão de existir. Se não tivermos história, cultura e meio ambiente, o que somos? O que seríamos?
Se o aumento das queimadas e do desmatamento em regiões como no Pantanal e, principalmente, na Amazônia é sempre manchete na imprensa, o descaso com nosso patrimônio histórico-cultural nem sempre ganha tanta repercussão, a não ser quando chega a uma catástrofe, como a do incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro, ou a polêmicas, como a do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) versus um ex-ministro que queria a todo custo que a construção de uma torre residencial contemporânea fosse erguida em Salvador na Ladeira da Barra.
Os Estados com maior número de bens tombados em nível federal são justamente o Rio de Janeiro e a Bahia, além de Minas Gerais. Apesar de fazer divisa com esses três Estados, o Espírito Santo possui apenas uma pequena quantidade de bens protegidos pelo Iphan.
Em contrapartida, alguns bens materiais do território capixaba já são tombados localmente pelo Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo.
É bem provável que, quando se fala em patrimônio histórico no Espírito Santo, o primeiro bem que vem à mente seja o Convento da Penha em Vila Velha. Não é para menos, afinal também é o maior símbolo religioso do povo capixaba, assim como o principal atrativo turístico espírito-santense.
Localizado no bairro da Prainha, o Convento da Penha não é a única construção histórica do lugar. Em 2015 foi criada a lei referente ao Sítio Histórico da Prainha. Ali também se encontram, por exemplo, a Igreja do Rosário e a Casa da Memória de Vila Velha. Outro atrativo é o Museu Homero Massena, contendo acervo do pintor.
Uma joia ainda pouco conhecida, porém, é o Forte de São Francisco Xavier da Barra, ou Forte de Piratininga, que fica nas dependências do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, bem na entrada da Baía de Vitória.
Com planta circular, o “Forte de Piratininga é um exemplar excepcional da Arquitetura Militar brasileira”, conforme nos diz a arquiteta e professora da Ufes Luciene Pessotti. Sua gênese, com pouquíssimos modelos no Brasil e no mundo, remonta à tratadística militar renascentista.
A construção, tal como se conhece hoje, data do século XVIII. Sua implantação na Capitania do Espírito Santo, por ordem do governo português, objetivava combater o contrabando do ouro de Minas Gerais.
À singularidade da sua forma e à riqueza histórica, deve-se somar a beleza do lugar onde o forte se encontra. Com as águas da baía diante de si, o forte encontra-se aos pés do morro do Convento da Penha, ao lado da Terceira Ponte e de frente para o skyline da cidade de Vitória.
Não faltam, portanto, razões tanto para a preservação histórica quanto para a maior divulgação e visibilidade dessa excepcional construção, para que a mesma seja mais conhecida e valorizada não só pela população capixaba, mas também brasileira e até estrangeira.
A ideia de torná-la mais conhecida não deve, contudo, ser feita a todo e qualquer custo!
Os eventos de decoração, design e paisagismo já fazem parte da agenda de muitas cidades brasileiras. Além de entretenimento, que não deixam de ser, eles movimentam a economia do setor, oferecem oportunidade para novos profissionais mostrarem-se ao mercado, sempre tendo também a presença de nomes já consagrados.
Entretanto, ainda que remetam à decoração, design e paisagismo, na condição de evento, tudo ali é efêmero, feito às pressas.
Intervenções em bens históricos devem ser sempre criteriosas, feitas com o devido cuidado.
Infelizmente, é nesse imbróglio que se encontra agora o Forte de Piratininga, isto é, ameaçado de sofrer uma intervenção capaz de desvirtuar suas características histórico-arquitetônicas, desobedecendo quaisquer premissas patrimoniais. A ação se deve em função de um evento de decoração, design e paisagismo previsto para ocorrer no local.
A história recente do Brasil é repleta de tragédias que pouco a pouco estão exaurindo nossas riquezas, nosso bem maior, que nada mais é do que nosso patrimônio histórico, cultural e ambiental e do qual somos parte indissociável.
Que o Forte de Piratininga, ou São Francisco Xavier da Barra, não seja mais um caso de desdém em relação ao patrimônio! E, pelo contrário, que em breve possamos vê-lo devidamente restaurado e acessível a quem ele pertence, o povo brasileiro.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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