Apesar de tantos fatos ruins ocorridos recentemente em nosso país, três notícias devem ser bastante celebradas: a diminuição da desigualdade social, a subida do Brasil no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e a baixa taxa de desemprego para o trimestre que finalizou em abril deste ano.
De acordo com o IBGE, em 2024 a renda da população mais pobre subiu 10,7%, o que fez com que a desigualdade diminuísse ao menor patamar desde 2012. Além disso, segundo informações da Agência Brasil, o Brasil subiu cinco posições no IDH, estando agora na 84º posição do ranking medido pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud). O IDH leva em consideração os dados de expectativa de vida, escolaridade e Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
No caso do nível de emprego, cabe destacar que o país possui 39,2 milhões de trabalhadores informais.
Algumas gerações atrás, o sonho da maioria dos brasileiros era ter um bom emprego com carteira assinada, associada à ideia de que, deste modo, estaria socialmente protegido. A atual crise dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas é apenas mais um fato a corroborar o fim daquele sonho.
Cada vez mais vemos pessoas indo à luta, usando a criatividade para empreender, criando formas diversas de obter renda, e que mostram uma nova realidade em relação à empregabilidade.
Em todas as cidades, em cada bairro ou comunidade, lá estão a barraca do churrasquinho ou do pastel, a da água de coco, a do artesão que cria bijuterias e adornos, e até a do chup-chup (ou geladinho, dependendo da região do país).
Na Bahia, estão as baianas com seus acarajés e abarás. No Rio de Janeiro, o pessoal que vende mate e biscoito Globo. Em Guarapari é o bolinho de aipim que faz a fama. E o que falar do queijo coalho, tão comum em boa parte do litoral brasileiro?
Tem gente que nem sai de casa, separa um espaço onde mora e lá monta um salão para cortar o cabelo de acordo com a moda atual, ou fazer as unhas e a maquiagem da mulherada. Outros vão pra cozinha e começam a preparar docinhos ou salgadinhos que logo serão consumidos em festas de aniversário e até em casamentos.
Uma galera tem usado o espaço de parques e praças para dar aula de atividade física, fazendo com que o pessoal não apenas sue, mas, principalmente, melhore a saúde física e mental. E isso pode ter várias vertentes, pois também podemos incluir nesse rol algum tipo de dança ou a capoeira, essa genuína expressão cultural afro-brasileira.
Algumas pessoas fazem atendimento domiciliar, para dar manutenção em computadores, fazer a instalação de algum aparelho elétrico ou reparo hidráulico. E nessa mesma modalidade domiciliar estão aqueles que dão aula de música, idiomas ou reforço escolar.
E há atividades recentes que estão cada vez mais requisitadas, como é o caso do “pet sitter”, ou cuidador de animais domésticos. Já é comum vermos pessoas andando pelas ruas acompanhado de vários cães que saem para caminhar, enquanto seus tutores estão ocupados com alguma tarefa profissional.
O Brasil até já tem o MEI (microempreendedor individual), que permite que vários profissionais possam se tornar uma pessoa jurídica e, assim, emitir notas fiscais e benefícios previdenciários.
Mas o que está em questão aqui é a força da microeconomia que se espalha de modo ubíquo por nosso país e que hoje tem papel preponderante na dinâmica da sociedade. Nem dá pra listar, nem é necessário, a totalidade das atividades e suas respectivas variações que conformam a microeconomia urbana, principalmente as que ocorrem nas regiões menos estruturadas das cidades.
Na verdade, são elas que têm permitido que nossas cidades sejam menos divididas, afinal se não fosse essa leva de trabalhadores informais, as tensões urbanas seriam bem maiores. Isso, porém, não significa que a situação desses trabalhadores seja a ideal, muito pelo contrário, pois não é desejável que os benefícios sociais do estado brasileiro alcancem apenas uma parcela da população ativa.
Apesar da desigualdade social ter diminuído, ainda estamos muito longe da meta para alcançarmos um equilíbrio justo com as diversas camadas da população.