“_ Houve uma tempestade que fez o mar subir – disse, e estremeceu. – Nunca vou me esquecer. Eu tinha oito anos. A água só subia e subia. A terra desapareceu completamente. Não dava para ver absolutamente nada. Só o mar. Mar em todo lugar. Eu me escondi no sótão. Mas fiquei com medo... Estava tão escuro lá... Então subi no telhado. As ondas batiam contra a casa. Os respingos me deixaram encharcada. Eu fiquei tão molhada... Senti tanto frio...
Ela tremeu como se ainda estivesse gelada até os ossos. Enquanto falava, foi se encolhendo, e sua voz começou a falhar...”
(“Nós, os afogados”, Carsten Jensen)
70% do corpo humano é composto de água. Trata-se do mesmo percentual da superfície do nosso planeta, apesar de que apenas 3% dela ser própria para o consumo, pois a maior parte encontra-se nos mares e oceanos, ou seja, água salgada.
Ainda assim, a água contida nos mares e oceanos é fundamental para o equilíbrio da vida na Terra.
Como se sabe, é extremamente salutar o consumo de alimentos provenientes do mar, como peixes, crustáceos ou algas. Extratos de algas marinhas já vêm sendo usados na produção de fertilizantes, além de diversos produtos de higiene como sabonetes e loções.
Um conjunto de joia com brincos e colar de pérolas é capaz de iluminar a beleza de uma mulher. Conchas largadas na areia da praia proporcionam diversos tipos de bijuterias e artesanatos domésticos.
Além de tudo que consumimos vindo do mar, é pelos oceanos que toneladas de produtos consumidos em todo o mundo viajam, fazendo do nosso planeta uma pequena aldeia.
Segundo estudo da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, vinculado à ONU), em 2019 foram transportados por navios 11 bilhões de toneladas. Já se sabe que a pandemia da Covid-19 impactou negativamente o transporte marítimo mundial em 2020 e 2021, mas, ao que tudo indica, trata-se de uma crise momentânea, pois o comércio internacional já dá sinais de recuperação (pelo menos até a crise na Ucrânia).
Mas ao longo da história humana, não são apenas mercadorias que cruzaram os oceanos, pois sempre houve deslocamentos de pessoas por via marítima. O que dizer, por exemplo, da ocupação das Américas desde que o genovês Cristóvão Colombo desembarcou em 1492?
Nos dias atuais, o que se vê são levas de refugiados que se arriscam no mar, navegando em embarcações precárias buscando fugir da miséria e violência nas suas terras de origem. Para eles, o mar é o caminho rumo a um mundo melhor, apesar dos riscos da sua travessia.
O mar provoca tanto angústia como fascínio. Sua infinitude é sublime, podendo assustar-nos em momentos de rebeldia ou trazer líricas emoções numa noite de lua cheia.
O mar nos faz cantar, inspira poesias e romances, é tema de quadros criando um gênero próprio, a pintura marinha.
O mar é lugar de esportes, de lazer. Há quem goste de surfar, outros de pescar. E como é legal ver uma praia colorida pela galera do kitesurf! Alguns mais privilegiados passeiam de veleiros, lanchas ou, senão, de motos aquáticas. Eu já me conformo com um caiaque.
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Há aqueles que só querem mesmo dar um mergulho ou uma caminhada à beira mar. Muita gente, porém, contenta-se apenas em sentar numa cadeira sobre a areia da praia e lá ficar vendo o tempo passar.
O mar é um importante componente do turismo mundial. Não são apenas as viagens em navios de cruzeiros, mas de toda uma cadeia ao redor da ambiência proporcionada pela paisagem costeira, que inclui balneários, hotéis, resorts, passeios de barcos e assim por diante.
Apesar de ser um componente fundamental em nossas vidas, o mar não é algo a ser desafiado, pelo contrário, temos que respeitá-lo, tentar compreendê-lo, aceitando suas idiossincrasias. Ao que parece, porém, o homem não vem tratando-o com o devido respeito, pois ora o maltrata ao jogar tanto lixo e esgoto nele, ora parece provoca-lo, invadindo-o além do limite aceitável.
E justamente num lugar como o Brasil isso é ainda mais alarmante, afinal segundo dados do IBGE 26,6% da população, isto é, mais de ¼ dos brasileiros vivem em cidades costeiras, cada vez mais ameaçadas pelo aumento do nível do mar. Ao longo do nosso extenso litoral sabe-se que há vários locais sofrendo com a erosão, com edificações e infraestruturas urbanas sendo destruídas, tudo provocado pela ação do avanço do mar.
Apesar dos pesares, o povo brasileiro é sábio e, certamente, saberá preservar tal patrimônio, pois sabe o quanto o mar que banha nossa costa é um bem imprescindível e inestimável.
“É água no mar / é maré cheia ôi / Mareia ôi, mareia / É água no mar” (“Conto de areia”, Antônio Carlos Nascimento Pinto / Romildo Souza Bastos)