Já que hoje, dia 8 de setembro, é a data do aniversário de Vitória, decidi falar sobre oito dos meus locais preferidos desta cidade que me acolheu há mais de 30 anos. E como é feriado local, talvez alguém até se anime e faça desse escrito algo como um roteiro para curtir o dia.
1. MORRO DA GAMELA
Começarei por um ponto do qual se pode avistar quase toda a cidade e, coincidentemente, é próximo de onde tenho vivido nos últimos anos: o Morro da Gamela. É um lugar bastante conhecido por pessoas que fizeram do morro um lugar de oração. E, de fato, lá do alto, além da vista magnífica, sente-se uma energia capaz de transcender o espírito de qualquer um alcance o cume.
De lá, dá pra ver o mar que banha a cidade, a Praia do Canto e Camburi com a ponta de Tubarão na direção nordeste. Para o norte, se vê o Mestre Álvaro, a região serrana para o lado de Fundão e Santa Teresa e o manguezal que separa as partes insular e continental de Vitória. Olhando para oeste, temos a Pedra dos Olhos, e girando a vista para o sudoeste, vemos até mesmo parte do Penedo. E na direção sul, o Convento da Penha e a baixada de Vila Velha.
2. ILHA DO FRADE
O segundo local que escolhi comentar é a Ilha do Frade. Com a pandemia, comecei a fazer caminhadas diárias até a ilha, passando por suas trilhas, pequenas praias e arruamento. Ao atravessar a ponte, é comum vermos tartarugas pondo suas cabeças para fora d’água. Os veleiros atracados na Guarderia e as canoas havaianas em movimento completam o cenário encantador daquela parte da cidade.
Só costumo ir lá no início das manhãs de segunda a sexta-feira, quando as praias ficam praticamente desertas, mas sei que nos finais de semana ela agora é também um point da galera jovem. Imagino que em tais ocasiões a ilha não fique tão tranquila, mas nada que altere o bucolismo do lugar.
3. CURVA DA JUREMA
Ali perto fica a Curva da Jurema, o terceiro ponto da minha lista. A atual renovação urbana, com novos e sofisticados bares e restaurantes, academia e até mesmo um posto da Polícia Militar, que teve como uma das suas consequências a gentrificação daquele trecho urbano e a aparente descoberta do lugar por muita gente que antes não botava o pé lá, em nada altera a minha percepção e preferência, pois frequento a Curva há muitos anos.
Lembro que o jazz à noite, abrindo a semana, era um programa imperdível, numa época em que a cidade era carente desse tipo de opção de entretenimento.
4.BARES E BOTECOS
E já que mencionei bares e restaurantes, o quarto item da minha lista é dedicado justamente aos botecos. Carioca que sou, confesso ser um botequeiro. E aqui em Vitória não faltam bons e divertidos bares. O problema é que muitos, ou melhor, a grande maioria deles não tem vida longa.
Apesar de ser uma das mais antigas cidades do país, Vitória não possui nenhum bar centenário, tal como encontramos em outras cidades brasileiras. Tampouco existe a tradição do chope, algo que estranhei muito assim que cheguei em terras capixabas.
Hoje, porém, vemos uma cidade mais dinâmica, cosmopolita, mas que ainda se permite ter alguns recantos pitorescos, onde se pode encontrar alguns daqueles charmosos “pés-sujos” nos quais a cerveja está sempre gelada e os tira-gostos nunca seriam recomendados por cardiologistas.
5. CENTRO DE VITÓRIA
E assim chegamos ao quinto item da lista: o Centro. Isso por que aquela região de Vitória concentra alguns dos melhores botecos pés-sujos, ainda que esse tipo de bar se espalhe por toda a cidade, independentemente do padrão econômico do bairro ou região.
Mas é claro que o Centro não é só boteco, pois parte do seu atrativo é mesmo o contraste entre o casario e os monumentos históricos e os edifícios típicos da modernidade que se ergueram ao longo do século XX.
O bom ali é mesmo sair caminhando, subir ladeiras, descer escadarias, encontrar o inesperado, um ângulo desconhecido de uma cidade caracterizada pelos contrastes entre o antigo e o novo, o provinciano e o cosmopolita.
6. RODOVIA SERAFIM DERENZI
Para aqueles que moram nas partes mais desenvolvidas da Capital, normalmente localizadas na região leste da ilha e na continental, sugiro que na ida ou na volta ao Centro vá pela Rodovia Serafim Derenzi, em sexto lugar na minha lista, lugar onde os contrastes se fazem evidentes. Trata-se de uma via que junta vistas cenográficas em direção ao canal da Baía Noroeste com o manguezal que contorna a Ilha de Vitória e o morro do Moxuara, já em Cariacica.
Da Serafim Derenzi, se pode chegar a locais como a Ilha das Caieiras e a Basílica de Santo Antônio, assim como ao Parque da Fonte Grande.
7. PARQUE BOTÂNICO VALE
Já que estamos mesmo dando uma volta por toda a cidade, que tal irmos até o outro extremo dela? E lá que se encontra a minha sétima dica, o Parque Botânico Vale.
Uma vez que se trata de um parque de uma empresa privada, lá é tudo bem executado e conservado, e com grande oferta de atrativos, atividades e eventos. Lamenta-se, porém, o grande número de regras proibitivas para o uso do espaço, ao contrário do que normalmente se espera de um lugar que induz à liberdade em plena natureza.
8. NOVO AEROPORTO DE VITÓRIA
Por fim, o último item da minha lista: o novo Aeroporto de Vitória. Aeroportos são portas de entrada das cidades, é lá que muita gente tem o primeiro contato com o seu destino numa viagem, causando boa ou má impressão na chegada. E, convenhamos, antes a gente que mora aqui tinha vergonha daquela antiga instalação. Agora não só temos orgulho, como até nos animamos em viajar, conhecer outras cidades, curtir muito, e poder voltar para casa, para a nossa cidade que nos dá abrigo.
Parabéns Vitória!